segunda-feira, 23 de novembro de 2015



 Psicanálise de Freud na educação

Ao pensar, na interdisciplina de Psicologia I, sobre o que mudou no mundo e na educação a partir das ideias de Freud, cheguei a uma constatação muito importante pro meu fazer diário na educação infantil, onde trabalho. 
Os conhecimentos que Freud nos traz sobre psicanálise tornou possível "abrir os olhos¨" dos educadores para questões que eram consideradas um problema, quase sempre sem se enxergar a solução. Tomo como exemplo um aluno com hiperatividade. Ele era constantemente castigado, para reprimir suas atitudes e fazê-lo se enquadrar no que se esperava dele. Hoje, com mais conhecimentos sobre a mente humana, sabemos que o hiperativo precisa ser direcionado corretamente, ser orientado, a fim de produzir e se desenvolver plenamente. Os educadores de hoje tem muito mais informação sobre como lidar com atitudes de seus alunos, que são produto de suas vivências, de sua mente, de seu todo.

MANIFESTO DOS EDUCADORES DO SÉCULO XXI


Construímos coletivamente um poema sobre o manifesto dos educadores que tem o desafio de trabalhar em sala de aula no século XXI. Tive o privilégio de dividir esta tarefa com minhas colegas Anaí Minuzzo, Débora Prades e Janaína Minuzzo



VIVER A EDUCAÇÃO EMPODERA O CIDADÃO

Escola, palco de resistência e construção social,
Uma democracia aprendida que se perpetua pelo emocional.
Relações de aprendizes e educadores, emoções de mentores.
Pensar a nova escola com a esperança do futuro,
Mas com os pés no presente, agregando forças,
Para conscientizar nossa gente.
Com autonomia e participação voluntária,
Promovendo a luta social, de mãos dadas com a educação necessária.
Alunos empoderados de cidadania, aproveitando inúmeras tecnologias,
Assegurados por aprendizagens relevantes, com valores humanos constantes.
Valorizados em sua identidade cultural, respeitados em sua história original,
Qualificados em um ensino essencial.

Se amor, respeito e pedagogia se juntassem como irmãos,
Dessa união nasceriam verdadeiros cidadãos.
Da educação que critica e que só procura falhas,
Não há como achar virtude, apenas insignificantes migalhas.
Somente com liberdade de expressão, pluralidade de informação,
Poderemos pensar em transformação.
Valorizar as diversidades, em casa, na escola, nas universidades,
Favorecerá um cidadão feliz, que vai enriquecer o futuro do país.
Estabelecer relações sociais produtivas, que resgatem valores de solidariedade,
Rompem barreiras antigas, que engessam nossas comunidades.
Cidadania de verdade extrapola aparências nas redes sociais,
Atos singelos na prática funcionam muito mais.
Sonhamos com uma consciência humana, que derrube muros de preconceito,
Que conquiste presença e vitórias, a que todos temos direito.

Professor, mestre, parceiro, curandeiro de ideias, nosso mentor...
Educador... Profissional capaz de formar todos os outros profissionais!
Construtores anônimos pela pátria afora... Empoderadores!
Nobres em responsabilidade, desvalorizados muitas vezes na dignidade.
Na nação onde piso salarial é lei, mínimo é o máximo, qualificação é obrigação... SQN!
Século XXI aí está e urge lidar, com novos parâmetros na educação... Mas atenção!
Resgatar a imagem social do professor, é essencial, é vital!
Professor valorizado, professor graduado, assunto mais que falado, porém limitado.
Leis que saiam do papel, que deixem de ser utopia e que tenham a energia,
Para construir um novo olhar para velhas questões e trazer inovações.

Políticas públicas alinhadas com a educação,
Profissionais valorizados em sua instrução.
Com uma intenção cuidadosa na instituição educacional,
Sede de potencialidades, retratos de sociedades, diversidades.
Gerações que se apropriam da ética para revolucionar,
Que fazem da escola um lugar para viver e amar.
Nossas escolas, integrais em sua sustentabilidade,
Comungando com as culturas e com as realidades.
Uma educação igualitária que promove conhecimento e é comprometida,
Um país para todos, uma escola para o mundo, um cidadão para a vida.



COMO ME ALFABETIZEI



Lembro de cada detalhe da minha alfabetização. 
Na época em que ingressei na escola não tinha Jardim ou Pré-escola pública. Quem fazia era em escola particular. Como não era obrigatório e eu morava na área rural, entrei direto na 1ª série, com 7 anos, que era a idade da época.
O sistema era o de reconhecer as letras individualmente a principio. Primeiro as vogais e depois as consoantes. Após isso, começar a juntar as silabas e formar palavras com elas. Entao ba,be,bi,bo,bu e formar boa, bia, bebê, bobo, aba e assim por diante. Prosseguiamos em ordem alfabética, isto é, ca,ce,ci..., depois da,de,di...sendo que za,ze,zi dava-se quase no final do ano.
Mas eu sempre gostei de estudar e pulei algumas etapas. Em junho eu já estava lendo e entendendo o que lia.
Lembro como se fosse hoje: ganhei uma revistinha chamada "Nosso amiguinho". Sentei nos pés da cama dos meus pais e só saí dali quando terminei a historinha. Era uma folha inteira, Eu achei que fui super rápida. Minha mãe relata que levou uma eternidade, que eles não aguentavam mais, mas ficaram firmes comigo até o fim. 
Como foi bom relembrar esta etapa!


TIPOS DE CONHECIMENTO 



Pensando sobre os quatro tipos de conhecimento estudado na interdisciplina de Fundamentos da Educação relembrei e resolvi detalhar o "Adote um escritor". É um projeto literário organizado pela Secretaria de Educação da Pref Mun de Porto Alegre, onde um escritor ou ilustrador visita a escola em uma data pré-definida, pra trabalhar o livro junto com as crianças. Antes desta data, em sala, "esmiuçamos" o livro escolhido juntamente com nossos pequenos.
Trouxe o exemplo do livro "A almofada que não dava tchau", do autor Celso Gutfreind. A ilustradora Elma foi quem fez-nos a visita. O livro conta a história de uma almofada que adorava dar oi. Mas não gostava de ter de se separar das almofadas que ela amava. Queria ficar sempre juntinho, por isso não dava tchau de jeito nenhum.  'A almofada que não dava tchau' é uma história que fala de alguém, igual a tantas crianças, que não gosta de despedidas, como por exemplo deixar a mamãe ir embora e ficar na escola.
Como trabalhamos o tema numa sala de Berçário 1, com bebês de 1 aninho, abordamos os conhecimentos assim:
Social - enriquecimento da aquisição da linguagem, tão importante nesta faixa etária, repetindo as palavras chave do livro, de seus personagens.
Físico - confeccionamos uma almofada para cada personagem, onde cada um tinha suas características, tamanhos e vestimentas. Crianças as manuseavam e exploravam.
Motor - outro grande aprendizado desta faixa etária é o aprender a andar. Então ficávamos mostrando as almofadas e chamando-os a vir buscá-las, dando assim os primeiros passinhos.
Lógico - A manipulação do livro, depois das várias atividades que tivemos com as personagens almofadas, mostrou que eles fizeram a relação lógica. Pelas suas carinhas e gestos via-se que eles identificavam que aquele livro falava nas "suas" almofadas. Fizeram a relação direitinho. Foi muito legal, muito enriquecedor !