Teoria X Prática
Recentemente entrevistei uma professora de EJA e suas constatações vêm ao encontro do que a teoria prevê na legislação brasileira.
Formação
inicial
Magistério
Possui
pós-graduação?
Sim
Anos
lecionando na EJA 3
anos
Possui
formação específica para trabalhar com a EJA? Sim, Pedagogia com habilitação em séries iniciais e EJA
Professora Maria, gostaria que você me contasse sobre sua experiência como docente
nas aulas voltadas para a alfabetização de pessoas jovens e
adultas. Quais as suas principais recordações / apreciações /
aprendizados nesse processo?
Foi
um período em que eu aprendi muito com meus educandos por serem
adultos, trabalhadores, donas de casa, que possuíam ampla
experiência de vida. Pessoas oriundas de um assentamento onde não
havia nenhuma infraestrutura, baixa autoestima.
A
escola contou como um salto na vida deles, levavam muito a sério.
Recordo muito da organização deles na turma. Faziam reuniões para
discutir os problemas da escola, da comunidade e nessa época tinha o
orçamento participativo. Nós íamos nas assembleias levando as
demandas que eles tiravam da comunidade. Todos nós aprendemos muito,
especialmente as questões de direito e cidadania.
Como era o ensino nos anos em que frequentaste a escola durante a sua
infância adolescência?
O ensino era bem tradicional, com ênfase no
aprendizado de sílabas (famílias).
Existe alguma diferença entre ensinar crianças e ensinar jovens e
adultos? Quais seriam?
Existem
sim diferenças, as aulas precisam ser bem dinâmicas, com movimento
e criatividade, levando-se em conta o cotidiano do adulto.
O que acredita ter aprendido como professor e como pessoa com o
trabalho na Educação de Jovens e Adultos?
Aprendi
a conviver e aceitar de forma mais humilde minha formação
acadêmica, sabendo que os alunos sem a mesma, com o conhecimento
empírico, também sabem muito.
É primordial partir dos conceitos decorrentes de suas vivências, suas interações sociais e sua experiência pessoal. Como detêm conhecimentos amplos e diversificados, podem enriquecer a abordagem escolar, formulando questionamentos, confrontando possibilidades, propondo alternativas a serem consideradas (BRASIL, 2002, p. 15).
Ministério da Educação e Cultura. Secretaria de Educação Fundamental. Educação
de Jovens e Adultos. Proposta curricular para o 2º segmento da Educação para jovens e
adultos. Brasília: Ação Educativa/MEC, 2002.
