Trago aqui uma reflexão sobre quem é o aluno da Educação de
Jovens de Adultos. O sujeito da EJA é o aluno não
criança,
em grande parte um trabalhador que está buscando concluir seus
estudos a fim de conseguir um emprego melhor, um repetente, pertence
à classe econômica mais baixa, que enfrenta o cansaço de muitas
vezes trabalhar o dia todo e estudar à noite.
Os
jovens e adultos não chegam na escola sem nenhum conhecimento. Eles
reconhecem alguma coisa, como sua assinatura, marcas de produtos bem
conhecidos e as letras e números, por exemplo. Também têm sua
bagagem cultural, seu conhecimento de vida. Mas isto não é o
suficiente e em busca da realização de ler este adulto vai em busca
da escola, do EJA.
Emilia
Ferrero, como Paulo Freire, tem o homem como sujeito construtor do
seu conhecimento.
Em
função dos dados obtidos com crianças, Emília Ferreiro
interessou-se por investigar
como os adultos não escolarizados concebiam a escrita. Partia do
princípio de que se a compreensão do código escrito precede a
entrada na escola, os adultos não escolarizados teriam também, como
as crianças, algumas concepções sobre a escrita. E que a ser
verdade, poderíamos operar modificações nas propostas
metodológicas: esta investigação foi guiada também por uma
inquietação pedagógica: não será possível considerar uma ação
alfabetizadora que tome como ponto de partida o que estes adultos
sabem, em lugar de partir do que ignoram? Não será acaso nossa
própria ignorância sobre o sistema de conceitos destes adultos o
que nos leva a tratá-los como se fossem ignorantes? O respeito à
pessoa analfabeta não deixa de ser um enunciado vazio quando não
sabemos o que é que se deve respeitar? Os resultados da investigação
permitiram concluir que a aquisição da escrita é uma aquisição
conceitual para crianças e adultos, construída pelo sujeito nas
relações com o meio, do mesmo modo que se observa em outras áreas
do conhecimento. (HARA, p.4)
Além
do benefício prático que o ler traz há a valorização humana que
esta conquista traz. É emocionante ver que a relação com o mundo
muda a partir do momento em que se consegue ler. Especialmente as
pessoas de mais idade sentem uma libertação quando se vêem lendo.
Identificar o nome de uma rua, o nome de um remédio, as placas no
trânsito, trazem ao adulto segurança. É libertador! Uma das
senhoras relatou que a partir do momento que conseguiu ler começou a
perceber o mundo de forma diferente. Passou a entender os programas
de TV, o que não acontecia antes de ler. Essa realização aumenta
auto-estima e isto fortalece as pessoas, faz com que se sintam mais
preparadas pra enfrentar o mundo.
REFERÊNCIAS:

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