terça-feira, 19 de fevereiro de 2019


ENSINAR PELO EXEMPLO



            A quarta postagem que eu vou revisitar é sobre dar o exemplo para criar o hábito da leitura, publicada em 02/12/2015 e pode ser encontrada em: Ensinar pelo exemplo
Na época que publiquei esta postagem estava estudando Emilia Ferrero. Me chamou a atenção as falas dela sobre a leitura na educação infantil e veio de encontro ao que eu já pensava, que o ato de ler um livro para uma criança vem acompanhado de afeto, pela criança e pelo livro. Através deste ato de carinho despertamos neles a vontade de compreender aquilo que conhecem, bem como palavras e conceitos que ainda desconheciam. Isso abre portas para um universo novo, o mundo das letras, da leitura. E não se trata de antecipar etapas e sim de apresentar às crianças a utilidade da escrita.
Segundo Abramovich (2006, p. 16) “escutar histórias é o início da aprendizagem para ser leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão de mundo”. E ainda:
“Como é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas muitas histórias...Escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo...(ABRAMOVICH, 1991, p.16).

Ao realizar meu estágio supervisionado numa turma de maternal, pude perceber o interesse que o livro desperta nas crianças e que, a importância que o educador dá ao livro é um exemplo que os arrasta para ser um futuro leitor!


Referências:
ABRAMOVICH, Fanny. Literatura Infantil Gostosuras e Bobices. 5. ed. - São Paulo: Scipione, 2006 . 


INTERDISCIPLINARIDADE x LITERATURA



        A terceira postagem que eu vou revisitar é sobre os tipos de conhecimento, que publiquei em 23/11/2015 e pode ser encontrada em: Tipos de conhecimento .
Na época em que escrevi esta postagem estávamos estudando este assunto no PEAD e coincidiu com o projeto Adote um Escritor. Este projeto de literatura da Prefeitura Municipal de Porto Alegre me trouxe a constatação de que, através dos livros, eu teria abertura para explorar cada tipo de conhecimento: social, físico, motor e lógico. A literatura abre um universo de possibilidades através dos assuntos abordados nas histórias infantis. Segundo Fanny Abramovich (1991):
“Como é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas muitas histórias...Escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo...(ABRAMOVICH, 1991, p.16).

As histórias infantis, que é o tema do meu TCC, trazem muitos benefícios para as crianças de forma multidisciplinar. Isto é, através de uma história, de um livro, posso trabalhar a noção matemática, a coordenação motora, a oralidade e a socialização. Isto foi o que aconteceu no meu estágio obrigatório. Meu projeto era sobre os livros de Dugani, o “Beleléu”. Através de três livros desta série trabalhei a interdisciplinaridade, que está contemplada da nossa Base Nacional Comum Curricular:
...a educação tem um compromisso com a formação e o desenvolvimento humano global, em suas dimensões intelectual, física, afetiva, social, ética, moral e simbólica. Além disso, BNCC e currículos têm papéis complementares para assegurar as aprendizagens essenciais definidas para cada etapa da Educação Básica, uma vez que tais aprendizagens só se materializam mediante o conjunto de decisões que caracterizam o currículo em ação. São essas decisões que vão adequar as proposições da BNCC à realidade local. Essas decisões (...) referem-se a decidir sobre formas de organização interdisciplinar dos componentes curriculares e fortalecer a competência pedagógica das equipes escolares para adotar estratégias mais dinâmicas, interativas e colaborativas em relação à gestão do ensino e da aprendizagem. (BNCC, 2018, p.60)

          Desta forma vejo que meu estágio, que é bem atual, veio confirmar meus estudos do início do curso, por ocasião da postagem analisada aqui.


Referências:
ABRAMOVICH, Fanny. Literatura Infantil Gostosuras e Bobices. 5. ed. - São Paulo: Scipione, 2005 . 

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Básica. Base nacional comum curricular. Brasília, DF, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/wp-content/uploads/2018/02/bncc-20dez-site.pdf. Acesso em: dez. 2018.

Obs: Mais uma postagem minha sobre o Adote o Escritor pode ser encontrada em Projeto de Literatura da PMPA



MAQUINARIA ESCOLAR




A segunda postagem que eu vou revisitar é sobre os Encantos e (des)encantos da educação, que publiquei em 2015/2: (Des)encantos da educação . 
Esta publicação trouxe as diferenças entre o estudo oferecido aos ricos e aos pobres desde sempre. Para entender melhor, faço aqui uma revisão do que era a infância há alguns séculos atrás.
A invenção ou regulação da categoria aluno está relacionada à descoberta da infância. A criança, tal como a percebemos hoje, não é eterna nem natural (Àriés, 1981, p.50).
O trabalho do historiador e escritor Phillipe Ariès apresenta a história social da família e da criança. Suas pesquisas apontam para o fato de que até por volta do século XII, não havia lugar, na arte ocidental, para a infância. No século seguinte, a arte exibia, de forma tímida ainda, o que se pensava das crianças, como homens de tamanho reduzido. Haviam quadros com representações de anjos pequenos nus e a criança modelo de todas as demais era o menino Jesus. Durante o século XIV e XV esses tipos medievais evoluíram e no século XVI desprende-se da iconografia religiosa e passa a ser representada na arte leiga, mostrando crianças ainda não sozinhas, sempre acompanhada ou entre vários adultos.
As causas para essa ausência da figura infantil remonta ao período histórico em que se vivia. As condições demográficas indicavam altas taxas de natalidade e de mortalidade na Europa neste período. Áriès complementa:

“Ninguém pensava em conservar o retrato de uma criança que tivesse sobrevivido e se tornado adulta ou que tivesse morrido pequena. No primeiro caso a infância era apenas uma fase sem importância, que não fazia sentido fixar lembrança. O sentimento de que se faziam várias crianças para conservar apenas algumas era, e durante muito tempo permaneceu, muito forte” (Áriès, 1981, p.56)

Parece que a infância só passa a adquirir importância comparada à da vida adulta no século XVII. Os retratos de crianças sozinhas ou no centro da família se tornaram comuns nesse período. No século seguinte temos informação das primeiras delimitações da fase da juventude. O termo juventude faz referência a uma primeira infância e adolescência. No século XIX então o bebê aparece como uma nova figura também.
No artigo Maquinaria Escolar Álvares e Varela observam que o fato de Áriès ter relegado a análise da infância pobre limitou o seu trabalho, o impedindo de perceber que:
“A infância rica vai ser certamente governada, mas sua submissão à autoridade pedagógica a aos regulamentos constitui um passo para assumir melhor, mais tarde, funções de governo. A infância pobre, pelo contrário, não receberá tantas atenções, sendo os hospitais, os hospícios e outros espaços de correção os primeiros centros-pilotos destinados a modelá-las” (VARELA e URIA, 1992, p. 75)

A concepção de infância foi mudando ao longo do tempo e muitas conquistas foram alcançadas. Contudo ainda, na prática, existe diferenciação entre ricos e pobres. As profissões que remuneram melhor, como os médicos por exemplo, têm o mais alto custo do curso de graduação. Assim, quem consegue cursar um curso de medicina é o aluno que tem condições de pagar pelo curso, estando em melhor condição financeira e perpetuando assim sua condição. Este é só um exemplo, dentre muitos casos existentes. É o (des)encanto da educação, sobre o qual falei na publicação de novembro de 2015, citada acima!


Referências:
ARIÈS, Philippe. História Social da Criança e da Família. 2 ed. Rio de Janeiro: LTC, 1981.
VARELA, Julia., ALVAREZ-URIA, Fernando. A Maquinaria escolar. Teoria & Educação. São Paulo, n. 6, p.68-96, 1992.



A arte de ensinar com emoção e ternura


          Neste oitavo eixo do curso temos a missão de rever dez postagens que fizemos aqui no portfólio de aprendizagens e reavaliar, dar a nossa visão atual sobre ela.

          A primeira postagem que eu vou revisitar é esta, que publiquei no primeiro eixo, lá no início do curso: Emoção e ternura: a arte de ensinar. A gente aprende continuamente, quando se está estudando então, se aprende mais ainda. Rever o que eu escrevi em junho de 2015, há quase quatro anos atrás, me confirmou o que eu já sentia nesta época, que a ação do professor não é mecânica, que a ação do professor traz junto suas emoções e relações com os alunos.

          Uma das maneiras que o professor se comunica e se relaciona com os alunos é através dos momentos de contação de histórias. Sobre estes momentos Busatto coloca que:

"Se quisermos que a narrativa atinga toda a sua potencialidade devemos, sim, narrar com o coração, o que implica em estar internamente disponível para isso, doando o que temos de mais jenuíno e entregando-se a esta tarefa com prazer e boa vontade.
Ao contar doamos o nosso afeto, a nossa experiência de vida, abrimos o peito e compactuamos com o que o conto quer dizer" (Busatto, 2003, p.47).
      
          Acredito que ao longo da trajetória do educador, este se se constrói através de sua formação e de suas experiências e vivências. Assim o professor vai fazendo trocas com os alunos, vai aprendendo e ensinando, dando e recebendo carinho, se emocionando e trazendo emoção e ternura para seus pequenos!

Referência: 
BUSATTO, Cleo. Contar e encantar: pequenos segredos da narrativa. Petrópolis, RJ, Editora Vozes, 2003.