Na
interdisciplina Seminário Integrador VII revisitamos alguns
conceitos que estudamos no decorrer do curso. Trago aqui quatro
deles, a saber: Escolas democráticas, Construtivismo na ação
pedagógica, Empirismo na ação pedagógica e Maquinaria escolar.
As
escolas
democráticas
estão inseridas dentro de uma linha chamada de Pedagogia Libertária
que se caracteriza por abordar a questão pedagógica diante de uma
perspectiva baseada na liberdade e igualdade, eliminando as relações
autoritárias presentes no modelo educacional tradicional. Uma
escola
democrática
é uma escola que se baseia em princípios democráticos, em especial
na democracia participativa, dando direitos de participação iguais
para estudantes, professores e funcionários. Esses ambientes de
ensino colocam os alunos como os atores centrais do processo
educacional, ao engajar estudantes em cada aspecto das operações da
escola, incluindo aprendizagem, ensino e liderança. Os adultos
participam do processo educacional facilitando as atividades de
acordo com os interesses dos estudantes.
Outro
aspecto importante de uma escola
democrática
é dar aos estudantes a possibilidade de escolher o que querem fazer
com seu tempo. Em muitas escolas, não existe a obrigatoriedade de
frequentar as aulas. Os estudantes são livres para escolher as
atividades que desejam ou que acham que devem fazer. Dessa forma
aprendem a ter iniciativa. Eles também ganham a vantagem do aumento
na velocidade e no aproveitamento do aprendizado, como acontece
quando alguém está praticando uma atividade que é do seu
interesse. Os estudantes dessas escolas são responsáveis por e têm
o poder de dirigir seus estudos desde muito novos.
O
construtivismo
propõe que o aluno participe ativamente do próprio aprendizado,
mediante a experimentação, a pesquisa em grupo, o estímulo a
dúvida e o desenvolvimento do raciocínio, entre outros
procedimentos. A partir de sua ação, vai estabelecendo as
propriedades dos objetos e construindo as características do mundo.
O
método construtivista enfatiza a importância do erro não como um
tropeço, mas como um trampolim na rota da aprendizagem. A teoria
condena a rigidez nos procedimentos de ensino, as avaliações
padronizadas e a utilização de material didático demasiadamente
estranho ao universo pessoal do aluno. As disciplinas estão
voltadas para a reflexão e autoavaliação, portanto a escola não é
considerada rígida. Existem
várias escolas utilizando este método. Mais do que uma linha
pedagógica, o construtivismo é uma teoria psicológica que busca
explicar como se modificam as estratégias de conhecimento do
individuo no decorrer de sua vida.
O
empirismo
é uma teoria filosófica que defende o conhecimento da razão, da
verdade e das ideias racionais através da experiência. Os
defensores do empirismo afirmam antes da experiência nossa razão é
como uma “folha em branco”, onde nada foi gravado. As ideias,
trazidas pela experiência, isto é, pela sensação, pela percepção
e pelo hábito, são levadas à memória e, de lá, a razão as
apanha para formar os pensamentos. A experiência escreve e grava em
nosso espírito as ideias e a razão irá associá-las, combiná-las
ou separá-las, formando todos os nossos pensamentos.
Estudar
o texto Maquinaria
Escolar levou-me a pensar em como e com que objetivo surgiram as
escolas e a educação no Brasil. Foi pensado e posto em prática um
ensino que viesse conservar o interesse da classe dominante da época.
Adotaram-se práticas educativas que buscavam regular a vida e os
costumes a fim de dirigir a formação dos jovens nobres
(preparando-os para mandar) e moldar as atitudes dos jovens pobres.
Até hoje vemos reflexos dos fatos explicitados neste texto: que a
educação continua sendo desigual, os recursos continuam
insuficientes, mas que os educadores, como sempre, seguem fazendo o
melhor que podem, na busca de uma educação de qualidade!
Uma
escola pública popular não é apenas a que garante acesso a todos,
mas também aquela de cuja construção todos podem participar,
aquela que realmente corresponde aos interesses populares, que são
os interesses da maioria; é portanto, uma escola com uma nova
qualidade, baseada no empenho, numa postura de solidariedade,
formando a consciência social e democrática (FREIRE, 1999, p.10).
Em
meados do século XVI, a igreja, que tinha poderes políticos e
privilégios, na busca de conservá-los começa a dar atenção às
infâncias, que abarcam desde a infância angélica e nobilíssima do
príncipe, passando pela infância de qualidade dos filhos dos
nobres, até a infância rude das classes populares.
Os
filhos dos pobres serão por sua vez objeto de “paternal proteção”
exercida através de instituições de caridade e beneficentes, onde
serão recolhidos e doutrinados. A infância pobre não receberá
tantas atenções como os mais abastados, sendo os hospitais,
hospícios e outros espaços de correção os primeiros destinos a
modelá-los.
Além
de adestrar os meninos pobres num ofício mecânico, aos que forem
para as letras se lhes dará duas horas logo pela manhã, para
aprender a ler, escrever e contar. A instrução fica relegada à
seleta minoria.
O
professor não possui tanto um saber, mas técnicas de domesticação,
métodos para condicionar e manter a ordem; não transmite tanto
conhecimento, mas uma moral.
O
colégio converte-se num lugar no qual se ensina e se aprende um
amontoado de banalidades desconectadas da prática. Essa fissura com
a vida real favorecerá formalismos que valorizam as classes
distinguidas. O saber é proprietário do professor. Só ele realiza
a interpretação correta dos autores, adéqua conhecimentos e
capacidades e decide quem é bom aluno. A memória dos povos, os
saberes adquiridos no trabalho, suas produções culturais, ficarão
marcadas como erros. É uma relação social de caráter desigual,
marcada pelo poder e avalizada pelo estatuto de verdade conferido aos
novos saberes.
A
escola fará a sua concepção platônica dos dons e das aptidões:
se o menino fracassa é porque é incapaz de assimilar esses
conhecimento e hábitos tão distantes dos de seu redor, portanto a
culpa é só sua, e o professor não deixará de lembrá-lo, o que às
vezes significa enviá-lo a uma escola especial para deficientes. Em
todo caso a
maquinaria escolar
irá
produzindo seus efeitos,
transformando esta força, essa tábula rasa, em um bom trabalhador. Em
princípios do século XX uma série de medidas destinadas ao
controle das classes populares começa a se aplicar, como a casa
própria para pobres e ensinar a fazer poupança. Esses dispositivos
tem por finalidade tutelar ao operário, moralizá-lo, convertê-lo
em honrado produtor, neutralizar e impedir que a luta social
transborde, pondo em perigo a estabilidade política. A
educação do menino trabalhador não tem pois como objetivo
principal ensiná-lo a mandar, se não a obedecer; não pretende
fazer dele um homem instruído e culto, se não inculcar-lhe a
virtude da obediência e a submissão à autoridade legítima.
Referências:
BECKER,
Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. Educação
e Realidade,
Porto Alegre, p.89-96, 01 jun. 1994. Semestral. 19(1).
FREIRE,
P. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro, 1999.
MACEDO,
Lino de. O Construtivismo e sua função educacional. Educação
e Realidade,
Porto Alegre, p.25-31, 01 jun. 1993. 18(1).
TOSTO,
Rosanei. Escolas Democráticas Utopias ou Realidade. Revista
Pandora Brasil,
ISSN 2175-3318. v. 4. 2011.
VARELA,
Julia et al. A Maquinaria Escolar. Teoria
& Educação,
São Paulo, n. 6, p.68-96, 1992