segunda-feira, 29 de junho de 2015




Emoção e Ternura: a Arte de Ensinar


Sabe aquelas leituras que você começa e vê-se devorando porque gostou demais? Pois foi o caso do texto "Emoção e Ternura: a Arte de Ensinar" da Prof.ª Dra Maria Luíza Cardinale Baptista. Este artigo me cativou desde o título. Concordo plenamente com o desafio dela de buscarmos uma relação de ensino-aprendizagem permeada de ternura. Pode até parecer romântico ou utópico, fácil com certeza não é (até porque muitos alunos não querem aproximação e criam escudos pra evitá-la), mas creio que possível. Vivencio isso em minha sala de educação infantil.  A vida imita a arte”? No filme “Gênio Indomável” a arte imitou a vida. Pois trata-se de um filme, de uma ficção, que retrata um envolvimento terno entre o psicólogo e o rapaz, que pode ser um aluno nosso. E esta ternura conseguiu sensibilizar aquele jovem que parecia indomável, pois sabia cálculo, podia saber o que os livros ensinavam, mas não não fazia relação daquilo com sua realidade. O psicólogo construiu uma interação afetiva que foi forte o suficiente para desacomodar o rapaz. Como já abordamos em textos anteriores, este desacomodar e recriar o conteúdo produz o aprendizado. Para o “gênio indomável” se não foi aprendizado de conteúdo foi de aprendizado para a vida. As suas relações tomaram outro sentido, seu ponto de vista mudou, aperfeiçoou-se. O psicanalista Luis Carlos Restrepo, em seu livro, fala em “analfabetismo afetivo”. Era o caso do nosso rapaz do filme e, atrevo-me a dizer, que de muitos professores também. Tão empenhados em cumprir prazos e conteúdos muitas vezes não conseguem fazer bom uso da comunicação, estabelecer um vínculo e acionar o desejo do aluno, a autopoiese (autocriação). “Processos autopoiéticos são agenciados, de tal forma que o aluno vai se reinventando, vai se recriando nas interações múltiplas produzidas, constituindo-se um ser produtivo de conhecimento e de si mesmo, diferente”. “A possibilidade de recriação e de participapção como sujeitos do processo muda tudo”, passa a fazer sentido para quem está aprendendo.  E ainda, “professores devem estudar neurociência?” . Segundo Jonathan D. Moreno não há garantia de que o conhecimento da neurociência, da psicologia, vá ensinar um caminho de ensino. Mas tudo o que aprendemos nos enriquece e, somado com a nossa “arte de ensinar com emoção e ternura”, pode sim ajudar, tanto alunos quanto professores!



Referências:
  • Texto Emoção e Ternura: a Arte de Ensinar. Prof.ª Dra Maria Luíza Cardinale Baptista
  • Texto Professores devem estudar neurociência? Jonathan D. Moreno
  • Filme “Gênio Indomável”