CENTROS DE INTERESSE
A nona revisita às minhas reflexões no portfólio de aprendizagens referem-se às postagens sobre Projetos de Aprendizagem, publicadas em 26/12/2016 e podem ser encontradas em PAs e O céu.
Na
ocasião em que aprendemos sobre os Projetos de Aprendizagem ficou claro que o
assunto a ser trabalhado no mesmo deveria ser de interesse das crianças. Deve
ser feita uma sondagem junto à turma, para ver qual assunto tem curiosidade e a
partir daí fazer o planejamento das atividades e conteúdos, tentando contemplar
as diversas áreas do conhecimento nestes estudos.
Se
os conteúdos não despertam real atrativo, as crianças podem desinteressar-se
pelo trabalho e pelas aulas, por isso deve-se procurar encontrar atividades e assuntos
prazerosos. Isto se aplica também à contação de histórias. Para Bettelheim, “se
uma criança não se liga à história isto significa que os motivos ou temas aí
representados falham em despertar uma resposta significativa neste momento de
sua vida” (1980, p. 26).
No
início do século XX o médico, psicólogo e educador belga Ovide Decroly
(1871-1932), pioneiro da Escola Nova, fundou em Bruxelas um instituto para
crianças com dificuldades de aprendizagem e, mais tarde, uma escola regular que
alcançou grande notoriedade. Decroly propôs que o ensino se
desenvolvesse por centros de interesse, e não por matérias isoladas, como se
fazia nas escolas tradicionais. O pesquisador recomendava o ensino
globalizado de palavras que fizessem sentido dentro da realidade da criança.
Segundo Bassan, 1978:
Decroly tinha como objetivo a ideia de que a escola deve estar a serviço
do aluno, e não o aluno a serviço da escola. Segundo ele, o trabalho com o
Centro de Interesse não foi muito bem interpretado, talvez pelo fato de não ter
escrito muito sobre ele. Decroly, receava que escrevendo sobre suas teorias
elas perdessem o dinamismo, a sua adaptabilidade e seu poder de renovação. (BASSAN,
1978, p.)
No meu estágio supervisionado, realizado há
poucos meses, tive a constatação na prática destas teorias: de que o conteúdo
que mais interessa as crianças é o melhor absorvido por eles. Que como
educadoras consigamos ter essa capacidade de enxergar os seus interesses e
conseguir conciliá-los com as exigências de conteúdos que a escola exige.
Referências:
ASSOLINI, E. (01 de março de 2018). www.revide.com.br.
Fonte: https://www.revide.com.br/blog/elaine-assolini/alfabetizacao-metodo-de-contos-segunda-parte/
BASSAN, V. J. Como interessar a criança na
escola. A noção dos centros de interesse em Decroly. Coimbra, Livraria
Almedina, 1978.
