Cultura enlatada?
Comecei a fazer um trabalho sobre cultura e, após ler 3 artigos e assistir 2 filmes, ao pensar na realidade escolar achei muito triste a conclusão a qual cheguei. Muitas vezes a “cultura” se apresenta deturpada e perde-se “o sentido da cultura como ação histórica” . A cultura “traz dentro de si dimensões do passado, conhecimentos herdados, donde não começamos do zero, ao contrário, cada ano que passa acumula mais conhecimento”. A “cultura carrega dentro de si a idéia de transmissão de idéias e valores” e é preciso que continuemos aprofundando estas idéias e valores e construindo-a, pois ela não está posta, estagnada. Porém, como ficou bem claro nos textos de Marilena Chauí e Maria das Graças Baptista, existe uma cultura enlatada, produzida para as classes populares. Há uma divisão cultural ocultada, onde há obras caras e baratas, elite culta e massa inculta. Se criou a ilusão de que todos têm acesso aos mesmo bens culturais, “no entanto, basta prestarmos bem atenção aos programas de rádio e televisão ou ao que é vendido nas bancas de jornais e revistas para vermos que as empresas de divulgação cultural já selecionaram de antemão o que cada classe e grupo sociais pode e deve ouvir, ver ou ler”. “Se comprarmos numa manhã 6 jornais diferentes percebemos que o mesmo mundo no qual vivemos se transforma em mundos diferentes e até mesmo opostos, pois um mesmo acontecimento recebe 5 ou 6 tratamentos diversos, em função do leitor que a empresa jornalística tem interesse de atingir”. Há uma indústria cultural que vende cultura, tratando toda ela como entretenimento e lazer somente. “Não que a cultura não tenha seu lado lúdico e de lazer. Mas uma coisa é perceber o lúdico e outra é instrumentalizá-la para que se reduza a isto: supérfula, uma sobremesa, um luxo num país onde nem os direitos básicos são atendidos”. Isto é a polarização da carência absoluta dos trabalhadores versus privilégio e conhecimentos de poucos. Cultura de verdade é a expressão de um povo em toda sua dimensão, nas suas escritas, nos seus trabalhos de arte, na sua arquitetura, no seu conhecimento, nos seus costumes, construída com a participação de todos! Estas diferenciações ficaram bem explicitadas nos dois filmes deste tópico. No “Narradores de Javé” mostrando o isolamento daquele povo, a falta de conhecimento que chegou até eles, onde poucos sequer sabiam ler, onde os que resolveram criar a barragem nem ouviram os moradores de lá. Eles tentaram fazer um registro escrito de sua história, que não era menos importante que a história de outros lugares só porque não estava documentada, mas esta nem seria lida pelos que tinham o poder público. Será que as práticas de nossas escolas também não vão passar de atos isolados nunca vistos nem valorizados pelo “poder público” da minha cidade? Este é o ponto triste ao qual cheguei na construção deste trabalho. O “vista minha pele” também mostrou a discriminação que existe, não tapemos o sol com a peneira, que considera os brancos como os construtores deste país em detrimentos dos negros que seriam parte desta sociedade mas não determinantes desta. Que absurdo! Quero crer de verdade que a minha ação diária na minha sala de aula possa construir cidadãos que não perpetuem essa idéia. Que sejam construtores do seu futuro, da nossa cultura !Referências:
- Texto A origem da palavra cultura - Alfredo Bosi
- Texto Cultura e democracia - Marilena Chauí
- Texto Cultura e educação popular - Maria das Graças de Almeida Baptista
- Filme Narradores de Javé
- Filme Vista a minha pele

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