domingo, 30 de junho de 2019

GESTÃO ESCOLAR NA BNCC



          Durante o ano de 2017, nos estudos das interdisciplinas do curso de Pedagogia, trouxe aqui no blog¹ algumas postagems sobre gestão escolar². 

          Agora, em 2019, ao aprofundar os estudos para a pesquisa do TCC, confirmei algumas idéias sobre a gestão escolar, à luz da Base Nacional Comum Curricural, a BNCC.

          A BNCC é o documento mais atual em vigor, desde 2017, que normatiza as questões curriculares. A BNCC determina as competências a serem alcançadas na educação básica, que compreende a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio. A Base também prevê direcionamentos para a área da gestão escolar. 


          



¹ http://eadcleideufrgs.blogspot.com/2017/07/gestao-escolar-em-uma-das-aulas.html

² http://eadcleideufrgs.blogspot.com/2017/07/gestao-democratica-na-minha-publicacao.html

PROJETOS DE APRENDIZAGEM


          Em 2017 foi a minha primeira experiência com Projetos de Aprendizagem, desenvolvida na interdisciplina de Seminário Integrador, sob a orientação da professora Cintia Inês Boll. A partir daí passei a fazer uso deste método de ensino, que se mostrou muito proveitoso na minha prática pedagógica. 

          Nesta ocasião, desenvolvemos um Projeto de Aprendizagem em grupo, que pode ser acessado através dos registros feitos aqui no blog:


http://eadcleideufrgs.blogspot.com/2017/05/mapeamento-da-turma-estamostrabalhando.html

http://eadcleideufrgs.blogspot.com/2017/05/certezas-e-duvidas-estapostagem-da.html

          No período do estágio obrigatório supervisionado, também fiz uso deste recurso, aplicando o Projeto Beleléu. Este projeto tem natureza interdisciplinar, uma vez que, partindo da literatura e dos livros da série Beleléu, do autor Patrício Dugnani, surgiu uma gama de possibilidades e áreas a serem desenvolvidas com a turma. Foi apresentado, a partir dos livros, as cores, os formatos e os números. 

Deixo, então, aqui registrado, meu projeto de estágio desenvolvido em 2018/2:

https://eadcleideufrgs.blogspot.com/2018/12/projeto-do-estagio-supervisionado.html









TCC



Refletindo sobre as postagens realizadas aqui no blog, do decorrer desta graduação, deparei-me com estas questões sobre a relação teoria e prática: 

http://eadcleideufrgs.blogspot.com/2018_06_21_archive.html


http://eadcleideufrgs.blogspot.com/2018/12/projeto-do-estagio-supervisionado.html

No TCC se faz a relação da teoria estudada com a prática do estágio de forma intensa e significativa. Deixo então aqui registrado reflexões sobre meu Trabalho de Conclusão de Curso, que coroa e reflete toda a trajetória de estudos da Pedagogia:

 1. INTRODUÇÃO
 O presente artigo trouxe como tema as contribuições da contação de histórias e busca apresentar como estas narrativas têm sido utilizadas como recurso de ensino e aprendizagem para as crianças de educação infantil. Objetiva-se discutir de que forma contribuem para o desenvolvimento de alunos da educação infantil, em especial para as turmas de maternal II. Para tanto, buscou-se responder a seguinte questão: Como a contação de histórias pode contribuir para as aprendizagens das crianças da turma de maternal II?
Como objetivos gerais busca-se identificar os benefícios da aplicação da contação de histórias, para crianças de uma turma de maternal II e fazer a distinção entre desenvolvimento e aprendizagem à luz de Piaget e relacionar os conteúdos necessários para a Educação Infantil de acordo com a Base Nacional Comum Curricular.
O referencial teórico baseia-se nos autores que desenvolvem a importância de ler e contar histórias para as crianças como Bruno Bettelheim, autor de A psicanálise dos contos de Fadas e Fanny Abramovich, em Literatura Infantil: gostosuras e bobices. Também foi estudado Levi Vygotsky, com A formação social da mente.
A pesquisa desenvolvida é a qualitativa na forma de Estudo de Caso, onde foram observadas as crianças e a turma do maternal II com um todo. Foram oferecidas histórias e atividades relacionadas a elas, para assim verificar no contexto real, do dia a dia escolar das crianças, suas reações e respostas aos assuntos abordados.
 As atividades práticas do estágio obrigatório têm seus desdobramentos a partir dos livros que embasaram o projeto, que é a série de livros  O Beleléu juntamente com livros de histórias infantis da biblioteca da escola, a saber, O Mundinho, O cabelo do Lelê, O dono da bola, Rita não grita, Os três porquinhos e Chapeuzinho Vermelho. Partindo daí, as atividades realizadas e observadas neste trabalho serão desenvolvidas no capítulo 4, da apresentação e análise dos dados.
A reflexão sobre a importância da contação de histórias na educação infantil levou ao levantamento do tema desta pesquisa. Assim sendo, o próximo capítulo versará sobre o problema desta pesquisa e seus desdobramentos.

2          LEVANTANDO O PROBLEMA DE PESQUISA E OBJETIVOS
Ao ouvir-se a expressão contação de histórias quase sempre é possível recordar-se da mãe, de uma avó, de pessoas próximas, que contavam histórias. Essa herança literária é transmitida desde os tempos remotos, de memória em memória, de boca em boca. Nossos antepassados contavam fatos, para informar seus filhos e transmitir para as futuras gerações informações sobre a família, a cultura do seu povo e suas crenças. A aprendizagem e a troca de saberes por meio da oralidade acompanham a humanidade, como destaca a citação abaixo.
Todos nós temos necessidades de contar aquilo que vivenciamos, sentimos, pensamos, sonhamos… Dessa necessidade humana surgiu a Literatura: do desejo de ouvir e contar para, através desta prática, compartilhar. Contadas em verso ou em prosa, as histórias permitiram que a humanidade passasse, de geração a geração, sua História - seus feitos, suas decepções, seus amores, seus sonhos, seus temores, suas esperanças… (KAERCHER, 1998, p. 69)

A turma de maternal II, onde foi desenvolvido o estágio obrigatório desta graduação de Pedagogia, já era conhecida pois já havia trabalhado na turma no primeiro semestre de 2018. A prática da contação de histórias era bem aceita pelas crianças e ao observar suas reações às narrativas foi percebido que a contação de história poderia auxiliar no desenvolvimento dos conteúdos e a acreditar que poderia ser um recurso potencializador da aprendizagem.
Então, a partir das experiências do estágio, foi experimentado esse aproveitamento juntamente com a interdisciplinaridade, que foi a exploração de várias habilidades partindo do recurso inicial da contação de histórias infantis. Partindo de uma história pode-se percorrer as áreas de arte, expressão corporal, linguagem e noções matemáticas. A escola municipal em que o estágio foi desenvolvido tem 180 crianças, distribuídas em 8 turmas, que vão do Berçário ao Jardim B. A turma de atuação do estágio foi a de Maternal II.
Com base no livro O Beleléu, do autor Patrício Dugnani, surgiu uma gama de possibilidades de atividades e áreas a serem desenvolvidas com a turma. Foi apresentado, através destes livros, as cores, os formatos e os números.
A prática da contação de histórias é um excelente recurso pedagógico, capaz de promover e enriquecer a aprendizagem, constituindo-se numa proposta interdisciplinar que permite a interação de todos as áreas de conhecimento. Vale ressaltar que na educação infantil os aprendizados se dão por eixos, como artes visuais, linguagem, natureza e sociedade, matemática, música e movimento. Diversas histórias quando bem escolhidas e planejadas permitem explorar integralmente todas essas áreas, de modo a favorecer a formação integral da criança. (MITTMANN, 2010, p. 34)

A partir deste desenvolvimento, envolvendo especificamente e inicialmente os livros de história, este trabalho de conclusão traz o tema a contação de histórias na educação infantil e como desdobramento surge a questão central que é:
Como a contação de histórias contribuiu nas aprendizagens de uma turma de Maternal II?

2.1      OBJETIVOS
Este capítulo apresentará o objetivo geral da pesquisa e os objetivos específicos que se constituem em subdivisões necessárias para a compreensão deste trabalho.

2.1.1 OBJETIVO GERAL
Compreender como a contação de histórias contribui nas aprendizagens de uma turma de maternal II.

2.1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Foram definidos como objetivos específicos:
a)        Compreender como a contação de histórias no contexto educacional, contribuiu ou não para as aprendizagens das crianças do maternal II;
b)        Caracterizar desenvolvimento e aprendizagem segundo Piaget;

c)         Identificar como a BNCC contempla a Educação Infantil.

A partir da questão centralizadora da pesquisa e dos objetivos traçados, foi então desenvolvido o REFERENCIAL TEÓRICO, foi explicitada a Metodologia usada, foram descritos os dados coletados e a análise feita sobre eles e a conclusão.


CRIATIVIDADE



          Em junho de 2018 fiz aqui no blog uma postagem sobre Inovações Pedagógicas, e está disponível em: 

         Na época eu coloquei que "Inovações pedagógicas são novas maneiras de fazer o ensino em sala de aula, a fim de acompanhar as mudanças que ocorrem na sociedade, em todos os campos, o tempo todo". Atualmente, cursando a interdisciplinar de Criatividade deparei-me com este mesmo assunto, o de usar a criatividade, a inovação. 

Em um dos vídeos assistidos nessa interdisciplina de Criatividade ¹ a professora Iliada de Castro fala que a criatividade é inerente do ser humano.   Daí fico lembrando que a maioria das pessoas com as quais tenho contato, não se acha criativa. Nós temos dentro de nós, na nossa essência, a capacidade de criar. Então vemos que se não estamos sendo criativos é porque estamos tendo bloqueios de criatividade, que estão nos impedindo de criar e inovar. 

          Nesse sentido, Castro faz uma relação de alguns bloqueios, que comento a seguir:
  1. O bloqueio “eu não sou criativo”, o sentir-se incapaz, pode ser superado com o relaxamento, o deixar de esquentar a cabeça e aproveitar os insights que surgem quando menos esperamos. Este insight é conhecido popularmente como o “estalo”.
  2. “É proibido errar” é um bloqueio comum. Mas o erro não passa de um resultado não esperado, que não serve para o fim que estava sendo buscado, mas pode ser útil em outro aspecto. A oradora dá o exemplo do post it, aqueles lembretes tão úteis e tão usados atualmente, que inicialmente não passava de uma cola que não colava direito e agora é uma cola que não deixa marcas!!! Então superamos este obstáculo olhando pro erro de forma diferente, não como um limitador, mas como uma nova possibilidade.
  3. “Dê a resposta certa” é um mecanismo que colocamos no nosso cérebro que se torna um bloqueio. Mas se procuramos várias respostas, sem uma única certa, as possibilidades se ampliam e deixam de ser bloqueio. Descarte a resposta mais lógica e observe com cuidado as demais.
  4. “Isso não tem lógica” é um bloqueio que pode ser superado com o uso de metáforas, de comparações para achar melhores saídas.
  5. “Seja prático” Na busca por resultado a curto prazo e cada vez mais rápido, pode-se acabar descartando boas ideias, que também serviriam como solução para algumas necessidades. Então, pode-se superar o seja prático considerando possibilidades que levam um pouco mais de tempo, menos práticas no conceito popular, mas que são eficazes também!

       Portanto, algumas vezes, as ideias menos prováveis, podem ser muito eficazes e não devem ser desconsideradas, para que possamos aproveitar todo o potencial criativo que temos.


¹ https://youtu.be/4B4qo7ebBTY

BRINCAR




          Refelxão sobre a postagem http://eadcleideufrgs.blogspot.com/2018_05_28_archive.html
que fala sobre a importância do aprender brincando, da ludicidade no processo de desenvolvimento e aprendizagem.

          Quando falamos em aula nas atividades dirigidas, imediatamente me remeteu aos momentos de pátio que tenho com minha turminha de Berçário II. Em geral esse momento é livre, pra explorarem os brinquedões, as árvores, o gramado, a terra, da maneira que quiserem. Porém quando temos uma brincadeira dirigida da qual os educadores também participam eles adoram. Estes dias brincamos de esconder e eles se divertem vendo os adultos se encolher abaixadinhos pra não serem achados. Eles riem da gente e a gente se diverte com eles também, há uma boa troca.
          É muito gratificante participar do lúdico, ver uma criança aprender brincando. Quando temos atividades no pátio interno, o brinquedo preferido lá é a piscina de bolinhas. Começamos a mostrar as bolinhas e dizer as cores delas e uma das meninas - de 2 aninhos- aprendeu! Eu fiquei pasma, confesso que não achei que conseguiria ensiná-los tão rápido. Ela decorou as cores que gosta mais: o rosa, o roxo, o azul e o amarelo. Como foi bom fazer parte disso. 


ARTES



        Para mim arte é a expressão dos nossos sentimentos. Podemos expressar nossos sentimentos através do canto, da pintura, do artesanato, de uma contação de histórias, através daquilo que conseguimos fazer para expressar nosso interior.
          Sobre explorar a arte e a criatividade na Educação Infantil, eu já havia refletido na postagem que realizei aqui no blog em maio de 2018 ¹, quando falava da história de um menininho que um dia foi criativo e interessado, mas que deixou de ser pela influência de uma professora que não permitia que o aluno se expressasse da maneira que ele queria, mas somente do jeito que ela achava mais adequado. 
          Pensando nisso, em uma das aulas, desafiei as crianças a criar uma arte com algum material que eles pudessem encontrar no pátio da escola. Então toda turma do Maternal II foi garimpar no pátio materiais que pudessem ser usados. Logo de início uma das crianças sugeriu que usássemos folhas das árvores que tinham caído no chão. Em seguida outra criança disse que ficaria legal fazer uma boneca com um vestido de folhas. Então partimos para a construção de nossa boneca desenhando-a em papel pardo em tamanho grande e colando as folhas na sua roupa. O resultado ficou bem bonito, as crianças apreciaram bastante e quiseram expor no mural da turma.













DESENVOLVIMENTO E APRENDIZAGEM




          Refletindo sobre as postagens realizadas em 2017¹/², sobre os estágios de devenvolvimento, nas fases de desenvolvimento cognitivo, e sobre a aprendizagem à luz de Piaget, constatei que estes estudos vinham de encontro ao que estou pesquisando no meu TCC.
           No meu trabalho de conclusão, dediquei um dos capítulos do embasamento teórico, para o estudo dos conceitos de Desenvolvimento e Aprendizagem.
          É importante esclarecer que, para Piaget, desenvolvimento e aprendizagem não são a mesma coisa. O desenvolvimento é uma ação espontânea, enquanto a aprendizagem é uma reação provocada por uma situação nova, um conteúdo didático novo ou uma experiência externa.
Na teoria piagetiana o desenvolvimento está ligado ao processo global do ser humano. É um processo espontâneo que tem relação com todas as estruturas do corpo biológico e neurológico.  Para compreender esse processo de desenvolvimento, é preciso conhecer os estádios de desenvolvimento, que são, sensório motor, pré-operatório, operatório e operações formais. Os sujeitos desta pesquisa, da turma de maternal II, estão no estádio pré-operatório. Estes estádios acontecem desde o nascimento da criança e não se limita às idades e sim a uma sequência lógica, acontecem um após o outro. Assim como no nosso corpo as aptidões são adquiridas em etapas, como se sentar, engatinhar, caminhar e correr, assim também com nosso cérebro.      
Em seu livro Desenvolvimento e Aprendizagem (1972) Piaget define que o desenvolvimento é um processo ligado ao desenvolvimento do corpo e das funções mentais. Ele considera que o desenvolvimento não é determinado pelos estímulos e sim pela organização estrutural de cada um.
Para receber a informação ela deve ter uma estrutura que a capacite a assimilar essa informação. Essa é a razão por que não se pode ensinar alta matemática a uma criança de cinco anos. Ela não tem a estrutura que a capacite a entender. (PIAGET, 1972, P. 4)


        Assim, o desenvolvimento serve de lastro para a aquisição da aprendizagem, ela depende do desenvolvimento. Assim, aprender é um processo que se dá por meio da assimilação e equilibração. O corpo, a mente, as características biológicas, sempre buscam a equilibração.  Quando a pessoa tem contato com algo que ainda não conhece, isso a desestabiliza. Para voltar a se equilibrar o corpo vai precisar assimilar e acomodar esse novo objeto, nova situação. Fazendo uso das estruturas que a pessoa já tem, ela acolhe o novo, organiza as novas informações, assimila e acomoda. No final deste processo ela recobrou o equilíbrio, e assim, houve aprendizagem.

          Um exemplo disso é a aprendizagem das operações matemáticas. A criança começa sendo apresentada aos números. Em seguida, ela consegue entender que cada número representa não só uma expressão gráfica, mas uma quantidade. Mais adiante a criança aprende que juntando as quantidades ela tem a soma. Depois de entender a soma ela tem condições de entender a subtração e assim sucessivamente. Não teria como aprender se pulasse alguma dessas etapas. Cada etapa serve de lastro para a próxima, são as estruturas que tornarão possível o processo de aprendizagem.      





¹ http://eadcleideufrgs.blogspot.com/2017/12/aprendizagem-naprimeira-aula-de.html

² http://eadcleideufrgs.blogspot.com/2017/12/estadios-de-desenvolvimento-embora.html

LITERATURA

Reflexão sobre as postagens abaixo, que traziam livros que tratavam de assuntos pertinenetes aos acontecimentos da sala de aula e do curso desta graduação no momento (2017).



http://eadcleideufrgs.blogspot.com/2017/10/literatura-etnico-racial-ii-da.html

Ao longo do curso muitos livros apoiaram o estudo em sala de aula da graduação e também na sala de aula onde trabalho, na educação infantil. 

Portanto, seguindo o rico recurso do uso da literatura e dos livros, trago aqui algumas considerações sobre as contribuições que as histórias e os livros trazem no processo de aprendizagens das crianças. Uma das contribuições é o possibilitar às crianças novas maneiras de ver e lidar com o seu mundo, com seu cotidiano.

Dentre as histórias ofertadas em sala de aula, as crianças mostraram suas preferências e por vezes fizeram relações das características de personagens com pessoas com quem convivem. Frequentemente eles interagiram com a narrativa, fazendo comentários durante a contação da história, para relacionar o que estavam ouvindo com o que eles vivem ou sentem. Alguns desses relatos destacaram-se no período de estágio e estão descritos a seguir.
Relato relacionado com a história Um Mundinho para Todos
   Este livro fala sobre um mundinho colorido onde viviam muitos habitantes que cuidavam dele e preservavam sua natureza. Havia uma diversidade de homenzinhos vivendo ali, cada um com seu jeito de ser, mas todos os habitantes reconheciam o valor de cada um e se respeitavam. Depois de contar a história das pessoas que vivem no mundinho, um dos alunos falou que a polícia levou seu pai embora e demora a devolver.
 Relato relacionado com a história O cabelo do Lelê
     Foi notado na sala duas meninas que apresentavam dificuldade na aceitação das suas características físicas e afro, principalmente os cabelos. Foi então trazido para a turma o livro O Cabelo do Lelê, que fala das características do cabelo crespo do personagem, que é um menino chamado Lelê. As crianças negras também foram encorajadas a soltarem os cabelos, sendo envolvidas por muitos elogios e comentários sobre a beleza dos fios.

Relato relacionado com a história O dono da bola
      Um dos meninos da sala, nos momentos de recreação no pátio, demonstra dificuldade em compartilhar os brinquedos com os demais colegas. Tem um apego maior pela bola, sendo o protagonista de conflitos diários durante o futebol, por não querer passar a bola. Ao ser contrariado, encerra o jogo e se retira, levando a bola consigo. O livro O dono da bola veio ao encontro a isso porque conta a história de um menino que tinha muitos brinquedos, mas não tinha amigos para brincar com ele, porque ele era encrenqueiro e brigava com todo mundo. No entanto para jogar futebol ele precisava de companheiros, pois não se joga futebol sozinho. Mas em cada partida, era só se sentir contrariado que ia embora bravo e levava a bolsa consigo, acabando assim com o jogo de todos. Foi realizado um campeonato de futebol e de tanto o menino levar a bola embora ele acabou sendo excluído do time e ficando sem amigos. Entendeu então que para voltar a ter amigos precisava compartilhar a bola e assim fazendo seu time ganhou o campeonato e recuperou seus amigos.

Relato relacionado com a história Rita não grita!

     Em outro momento foi notada a dificuldade de uma das alunas, que não consegue resolver as situações de conflito através do diálogo e usa o choro e o grito para obter o que deseja. Foi levado então para os momentos de histórias o livro Rita não grita!  O livro conta a história de uma menina chamada Rita que reage a tudo que lhe contraria gritando e chorando. Se a roupa não lhe agrada ela chora e grita, se o brinquedo não está lhe agradando ela chora e grita também, e assim por diante. Então os colegas da escola resolvem usar o método de se afastar da Rita toda vez que ela gritar e chorar. Um dia a vovó dá um brinquedo de estourar um balão, Rita leva o brinquedo para compartilhar com os amigos, e no momento em que o brinquedo estoura ao invés de chorar Rita começa a gargalhar, para a surpresa dos colegas. A partir daí ela passou a rir das situações que não gosta ao invés de gritar e chorar. 

ANÁLISE DOS DADOS
Aqui estão a relação que as crianças fizeram das narrativas com suas vivências particulares. Como no relato relacionado com a história Um Mundinho para todos, quando a aluna do maternal presenciou o pai sendo levado preso pela polícia. Criou-se assim o conceito de que, se o papai, que é o seu herói, que é bom pra ela, foi levado embora, então quem o levou, a polícia, é ruim.
Através da história O Cabelo do Lelê, após muito diálogo, a turma toda demonstrou uma melhor aceitação em relação às colegas negras, entendendo que cada um tem suas próprias características físicas e que todas devem ser respeitadas. Influenciadas desde cedo pela mídia e pela sociedade em aceitar o cabelo liso como sendo "bom" e o crespo sendo "ruim", pois anteriormente algumas crianças demonstravam vergonha e acabavam se isolando do grupo.
Na exploração do livro O Dono da Bola foram realizadas dinâmicas de cooperação, além da contação da história, trabalhada várias vezes. Lentamente, o aluno citado tem demonstrado um pouco mais de tolerância, aceitando dividir alguns brinquedos. Em relação ao futebol, ele ainda apresenta resistência, mas já consegue agir de uma forma menos intransigente durante os jogos, diminuindo as situações de conflito.
Em relação ao livro Rita não Grita, após trabalhar a história algumas vezes em sala, a aluna passou a ter um controle maior sobre suas emoções e já tenta dialogar com os educadores e colegas, pois percebeu que isso a aproxima dos que convivem com ela. 
Desse modo, imaginar e constatar como um personagem conseguiu solucionar sua situação dá uma ideia de como a criança pode lidar com a própria situação. E se não for possível solucionar, pelo menos é um modo de reagir a ela, de enfrentar o sentimento e superar o que incomoda. Essa relação mental que ela faz, da sua experiência pessoal com a experiência do personagem, ajuda a entender e lidar com seu mundo, é um ato de construção interna da criança.
Na história Os Três Porquinhos, por exemplo, quando o lobo é destruído pelo porquinho mais velho a justiça é feita e a criança “não só recebe esperança, mas também lhe é dito que através do desenvolvimento de sua inteligência ela pode sair-se vitoriosa mesmo sobre um oponente mais forte” (BETTELHEIM, 1980, p. 55). As situações pelas quais as crianças passam são diversas e por vezes, experiências ruins como a perda de um familiar, o abandono, a doença. Essas turbulências internas vêm ao encontro, muitas vezes, da situação vivida por um personagem da história que ela está ouvindo. 







LEIS  x  EDUCAÇÃO INFANTIL


          O reconhecimento da etapa da educação infantil como parte do ensino obrigatório remonta aos anos 2000, quando em uma emenda à Constituição Federal, a criança é considerada sujeito de direito e um desses, é o direito à educação (artigo 227). No artigo 208, está posto que é dever do Estado “garantir educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade”. (Inciso IV, emenda constitucional 2009)

          A Lei de Diretrizes e Bases da Educação - LDB confirma isso a partir da sua modificação em 2006 e a consagração em 2013, quando inclui a obrigatoriedade da matrícula de crianças de 4 e 5 anos em instituições de educação infantil, através dos incisos I e II do artigo 4º e também no seu artigo 29º que diz:

                                                                               A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem                                                                                    como finalidade o desenvolvimento integral da criança de até 5                                                                               (cinco) anos, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e                                                                            social, complementando a ação da família e da comunidade.                                                                                         (LDB, 2013, Lei 12.796) ou (LDB, Lei 12.796/13)



          No campo da educação infantil, que é minha área de atuação, a BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR - BNCC, estabelece os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento e, portanto, vai normatizar as próprias experiências que devem ser ofertadas para as crianças. A proposta dela é assegurar às crianças condições para que elas aprendam, se desenvolvam integralmente, através das interações e brincadeiras. Essas práticas vêm acompanhada de uma intencionalidade educativa, onde o professor oferece uma pluralidade de situações para promover o desenvolvimento e aprendizagem destas crianças.


Reflexão sobre as postagens: