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terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

INTERDISCIPLINARIDADE x LITERATURA



        A terceira postagem que eu vou revisitar é sobre os tipos de conhecimento, que publiquei em 23/11/2015 e pode ser encontrada em: Tipos de conhecimento .
Na época em que escrevi esta postagem estávamos estudando este assunto no PEAD e coincidiu com o projeto Adote um Escritor. Este projeto de literatura da Prefeitura Municipal de Porto Alegre me trouxe a constatação de que, através dos livros, eu teria abertura para explorar cada tipo de conhecimento: social, físico, motor e lógico. A literatura abre um universo de possibilidades através dos assuntos abordados nas histórias infantis. Segundo Fanny Abramovich (1991):
“Como é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas muitas histórias...Escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo...(ABRAMOVICH, 1991, p.16).

As histórias infantis, que é o tema do meu TCC, trazem muitos benefícios para as crianças de forma multidisciplinar. Isto é, através de uma história, de um livro, posso trabalhar a noção matemática, a coordenação motora, a oralidade e a socialização. Isto foi o que aconteceu no meu estágio obrigatório. Meu projeto era sobre os livros de Dugani, o “Beleléu”. Através de três livros desta série trabalhei a interdisciplinaridade, que está contemplada da nossa Base Nacional Comum Curricular:
...a educação tem um compromisso com a formação e o desenvolvimento humano global, em suas dimensões intelectual, física, afetiva, social, ética, moral e simbólica. Além disso, BNCC e currículos têm papéis complementares para assegurar as aprendizagens essenciais definidas para cada etapa da Educação Básica, uma vez que tais aprendizagens só se materializam mediante o conjunto de decisões que caracterizam o currículo em ação. São essas decisões que vão adequar as proposições da BNCC à realidade local. Essas decisões (...) referem-se a decidir sobre formas de organização interdisciplinar dos componentes curriculares e fortalecer a competência pedagógica das equipes escolares para adotar estratégias mais dinâmicas, interativas e colaborativas em relação à gestão do ensino e da aprendizagem. (BNCC, 2018, p.60)

          Desta forma vejo que meu estágio, que é bem atual, veio confirmar meus estudos do início do curso, por ocasião da postagem analisada aqui.


Referências:
ABRAMOVICH, Fanny. Literatura Infantil Gostosuras e Bobices. 5. ed. - São Paulo: Scipione, 2005 . 

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Básica. Base nacional comum curricular. Brasília, DF, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/wp-content/uploads/2018/02/bncc-20dez-site.pdf. Acesso em: dez. 2018.

Obs: Mais uma postagem minha sobre o Adote o Escritor pode ser encontrada em Projeto de Literatura da PMPA



domingo, 10 de junho de 2018



PIAGET x VIGOTSKY




Fazendo um comparativo entre Piaget e Vigotsky, através dos textos estudados*, sob o ponto de vista da construção do conhecimento e aquisição da linguagem concluo que:

Piaget é um psicólogo, cognitivista construtivista. Ele entende que a aprendizagem e a aquisição da linguagem vem de uma inteligência completa, isto é, a criança tem que se desenvolver completamente para que ela consiga adquirir a linguagem. Isto também leva em consideração a interação da criança com o meio e com o objeto, com a cultura.

Piaget divide essa aquisição em alguns estágios: sensório-motor, pré-operatório, pré-operatório concreto e operatório formal.

Vigotsky também foi um psicólogo, a teoria dele é o interacionismo social. Ele diz que a aprendizagem e a aquisição da linguagem vem pelo meio e que precisa da interação de outra pessoa. Logo precisa de pelo menos duas pessoas para a criança aprender a falar, porque além do meio será preciso que alguém direcione, que seja um mediador dessa aprendi agem. Alguns estudos indicam que a criança aprende mais com a atenção voltada para ela do que pela linguagem em que ela está inserida.

Vigotsky coloca que o meio mediado por uma pessoa vai alterar a experiência de aprendizagem. Ele fala na Zona de Desenvolvimento Proximal que é a distância entre o meu desenvolvimento real, onde eu consigo aplicar sozinha o que eu já sei, e o meu desenvolvimento potencial que é aquilo que eu consigo realizar com a mediação de outra pessoa. Por exemplo, um mediador me ensinar a formar frases com palavras que eu já conheço.


Piaget coloca que a aprendizagem se dá de dentro pra fora, que vai se adquirindo experiência em cada estágio do desenvolvimento e aí se dá o aprendizado.

Vigotsky diz que a aprendizagem se dá de fora pra dentro, as experiências vão formar o sujeito falante ativo.



* Pensamento e Linguagem, de Adrián Montoya, juntamente com lâminas sobre Vigotsky, disponibilizados no Moodle para estudos das semanas 8 e 9 de Linguagem.



quarta-feira, 30 de maio de 2018

EJA





        Trago aqui uma reflexão sobre quem é o aluno da Educação de Jovens de Adultos. O sujeito da EJA é o aluno não criança, em grande parte um trabalhador que está buscando concluir seus estudos a fim de conseguir um emprego melhor, um repetente, pertence à classe econômica mais baixa, que enfrenta o cansaço de muitas vezes trabalhar o dia todo e estudar à noite.
      Os jovens e adultos não chegam na escola sem nenhum conhecimento. Eles reconhecem alguma coisa, como sua assinatura, marcas de produtos bem conhecidos e as letras e números, por exemplo. Também têm sua bagagem cultural, seu conhecimento de vida. Mas isto não é o suficiente e em busca da realização de ler este adulto vai em busca da escola, do EJA.
Emilia Ferrero, como Paulo Freire, tem o homem como sujeito construtor do seu conhecimento.
Em função dos dados obtidos com crianças, Emília Ferreiro interessou-se por investigar como os adultos não escolarizados concebiam a escrita. Partia do princípio de que se a compreensão do código escrito precede a entrada na escola, os adultos não escolarizados teriam também, como as crianças, algumas concepções sobre a escrita. E que a ser verdade, poderíamos operar modificações nas propostas metodológicas: esta investigação foi guiada também por uma inquietação pedagógica: não será possível considerar uma ação alfabetizadora que tome como ponto de partida o que estes adultos sabem, em lugar de partir do que ignoram? Não será acaso nossa própria ignorância sobre o sistema de conceitos destes adultos o que nos leva a tratá-los como se fossem ignorantes? O respeito à pessoa analfabeta não deixa de ser um enunciado vazio quando não sabemos o que é que se deve respeitar? Os resultados da investigação permitiram concluir que a aquisição da escrita é uma aquisição conceitual para crianças e adultos, construída pelo sujeito nas relações com o meio, do mesmo modo que se observa em outras áreas do conhecimento. (HARA, p.4)

        Além do benefício prático que o ler traz há a valorização humana que esta conquista traz. É emocionante ver que a relação com o mundo muda a partir do momento em que se consegue ler. Especialmente as pessoas de mais idade sentem uma libertação quando se vêem lendo. Identificar o nome de uma rua, o nome de um remédio, as placas no trânsito, trazem ao adulto segurança. É libertador! Uma das senhoras relatou que a partir do momento que conseguiu ler começou a perceber o mundo de forma diferente. Passou a entender os programas de TV, o que não acontecia antes de ler. Essa realização aumenta auto-estima e isto fortalece as pessoas, faz com que se sintam mais preparadas pra enfrentar o mundo.


REFERÊNCIAS:
HARA, Regina. Alfabetização de adultos: ainda um desafio. 3ª edição. São Paulo: CEDI, 1992.

sábado, 5 de maio de 2018

FRAGMENTAÇÃO DO APRENDER


          Hilton Japiassu traz em uma frase* o que Jurgo Santomé esmiúça e explica com detalhes no texto estudado esta semana “Globalização e interdisciplinaridade”.

      A fragmentação do conteúdo escolar não surgiu sozinha, do nada. Esta compartimentalização vem do que aconteceu nas linhas de produção, na economia do início do século XX.
      Com a finalidade de ter maior produtividade, sem tempo para distrações e “vagabundagens” dos trabalhadores, adotou-se o sistema Fordista, com as linhas de montagem. Nas fábricas da Ford a produção dos automóveis foi fragmentada ao extremo, ao ponto de que cada operário precisava saber muito pouco e repetir exaustivamente, sem noção do todo. O funcionário que apertava parafusos não sabia nem ao menos se aquele era o freio ou um enfeite do carro, tendo em vista a velocidade em que as peças passavam pelas suas mãos. Sem conhecimento do todo não tinha como opinar sobre nada na produção do carro e assim só umas poucas pessoas compreendiam claramente todos os passos da produção e o que a motivava.

        De igual forma, na educação, ao analisar os currículos, se observava que os conteúdos relacionavam-se com a obediência e a submissão ao que já tinha sido posto por poucos, que detinham a autoridade sobre o que se devia ser ensinado nas escolas. Os conteúdos culturais eram descontextualizados, distantes do mundo experimental dos alunos.

          As consequências desta desapropriação de conhecimento, tanto de trabalhadores quanto de estudantes, representam um atentado contra os direitos de participação nos processos de tomadas de decisões. É antidemocrático e expõe as pessoas à possibilidade de serem substituídas a qualquer momento. Sem visão do todo não se tem o conhecimento para argumentar diante de uma demissão no trabalho ou reprovação escolar!

          No entanto, conforme coloca Santomé, essas políticas de controle e degradação do trabalho tiveram que enfrentar obstáculos. Associações e sindicatos abriram os olhos e reagiram, mesmo com pressão e coação por parte dos patronais. A globalização, que foi facilitada também pelo acesso à informação que a tecnologia traz, obrigou que os processos de produção e comercialização fossem revisitados e revistos. Neste momento entra o modelo toyotista, com as implementações do engenheiro chefe da empresa Toyota, que revolucionou os modelos de gestão e produção a partir da década de 50. O sistema Toyota nasceu na necessidade particular do Japão de produzir pequenas quantidades de muitos modelos de produtos, exatamente o contrário do modelo Ford de produção em massa de produtos idênticos. Aqui estimula-se a produtividade mediante recompensas e o envolvimento na tomada de decisões até certo ponto.

          Não nos enganemos, pois no toyotismo os limites existem, os controles tornam-se mais disfarçados e continuam na mãos de poucos. Assim também na educação, os professores têm a falsa sensação de autonomia, porém suas decisões não passam das dimensões metodológicas e de organização das instituições escolares, mas não à análise crítica dos conteúdos e finalidades do sistema escolar. Assim, alguns fatos nos geram dúvidas sobre um compromisso sério com as reformas educacionais, como por exemplo a aprovação de uma lei de financiamento que possa garantir o desenvolvimento de projetos de estudo e pesquisa. Será que o discurso de autonomia pode reduzir-se apenas à liberdade de escolha de estratégias para obter os objetivos impostos por um sistema de educação que pode estar interessado somente em produzir trabalhadores que não questionam? Será que a excessiva compartimentalização dos saberes está a serviço de tirar o foco do todo, para criar especialistas em quase nada?



        

  É cruel até o que Japiassu traz, das palavras de Harper: 
  * “A especialização sem limites culminou numa fragmentação crescente do horizonte epistemológico. Chegamos a um ponto que o especialista se reduz àquele que, à causa de saber cada vez mais sobre cada vez menos, termina por saber tudo sobre o nada(...).”





Fontes:
HARPER, Babette et al. Cuidado, Escola! São Paulo: Brasiliense, 1980
JAPIASSU, Hilton. A questão da interdisciplinaridade. Revista Paixão de Aprender. Secretaria Municipal de Educação, novembro, n°8, p. 48-55, 1994.
SANTOMÉ, Jurgo T. GLOBALIZAÇÃO E INTERDISCIPLINARIDADE. O currículo integrado. Porto Alegre, 1988.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

APRENDIZAGEM


          Na primeira aula de Psicologia II deste semestre foi-nos perguntado o que é aprendizagem. Devíamos responder sem consulta, sem estudo prévio. Na ocasião eu respondi que aprendizagem é tomar conhecimento do que antes não sabia. É dar-se conta de coisas novas. É ir juntando peças e formando um novo conceito, mais abrangente.
          É muito interessante e desafiante buscar entender como surge o conhecimento humano. Ao nascer somos totalmente dependentes para tudo. Assim como no nosso corpo as aptidões são adquiridas em etapas (sentar, engatinhar, caminhar, correr) assim também acontece no nosso cérebro. O conhecimento é construído aos poucos, sem pular etapas.
          Na psicologia do desenvolvimento, para Piaget a ação da criança é determinante. Brincar, comer, imitar, defender seu ponto de vista, etc. Se uma criança está, por exemplo, brincando, acontece algo no meio que é novo e isso desacomoda as suas certezas. Com a nova informação junto com o que ela já sabia há um novo conhecimento, construído aí, mais completo que o anterior. Quando a criança acabou de se equilibrar o cérebro ficou ampliado e com essa ampliação ele vê coisas que não via antes. E aí vendo coisas novas acontecem novas desacomodações e novo equilíbrio e assim sucessivamente. Resumindo: cada nova conduta vai restabelecer o equilíbrio e construir um equilíbrio ainda mais estável do que o anterior.