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quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

MÉTODO CLÍNICO PIAGETIANO


          Na interdisciplina de Psicologia II estudamos sobre o método clínico Piagetiano, que é um conjunto de procedimentos de diagnóstico. Através da interação com o sujeito se pode investigar o aluno e formular hipóteses para ajudar a criança na superação de suas dificuldades.  É um mecanismo facilitador no processo de aprendizagem e construção do conhecimento.

          Uma das fontes de inspiração deste método foi a psiquiatria, que já tinha por hábito seguir o pensamento do sujeito para conhecer sua forma de pensar. Pode-se usar a entrevista clínica, que é conduzida a partir de um roteiro básico de perguntas que vão sendo ampliadas e complementadas de acordo com as respostas dos sujeitos, para poder interpretar o que estão dizendo. E o método clínico propriamente dito, onde se dá a coleta de dados por meio de observação e da conversa.

          Realizei juntamente com minha colega Denise, em sala de aula uma atividade com uma menina de 9 anos, que vou chamá-la aqui de A, a fim de verificar se ela tem a habilidade de conservação da quantidade de massa de um objeto. Para tanto usamos massinha de modelar. 

Inicialmente foi pedido que ela escolhesse uma das doze cores de massinha. Ela escolheu a verde clara. As duas massinhas foram colocadas lado a lado:

APLICADORA: O que tem de diferente nas massinhas?

A: A cor.

Propus que cada uma fizesse uma bolinha com a sua massinha. As bolinhas foram colocadas lado a lado.

APLICADORA: Tu achas que tem a mesma quantidade de massinha nas bolinhas, ou uma tem mais do que a outra?

A: Agora não estão iguais por causa que essa bolinha tá um pouquinho maior que a verde.

APLICADORA: Tá mas tu acha que mudou a quantidade de massinha?

A: Não mudou.

APLICADORA: E o que tu acha que acontece se tu fizeres uma salsicha com a tua bolinha? Tu acha que vai mudar a quantidade de massinha, ou vamos continuar cada uma tendo a mesma quantidade?

A: A quantidade sempre vai continuar igual!

APLICADORA: E por que tu achas isso?

A: Porque elas sempre foram iguais, então elas pensam que porque mudou o formato mudou a quantidade.

APLICADORA: Faz a salsicha então. A transforma a sua bolinha verde em salsicha. APLICADORA: Então agora a gente tem a minha bolinha e a tua salsicha. Era o que tu pensavas? Continua a mesma quantidade de massa? O que mudou aqui?

A: O formato.

APLICADORA: O formato! E a quantidade de massa da bolinha continua igual à quantidade de massa da salsicha?

A: Eu acho que quando elas vem aqui ( ela aponta para a caixinha de massinhas) elas vem com a mesma quantidade. Daí mesmo fazendo qualquer coisa, elas continuam com a mesma quantidade. Porque a gente não tirou nem um pouquinho.

APLICADORA: Tá, e agora eu vou fazer uma bolachinha. Mudou o que?

A: O formato.

APLICADORA: E a quantidade de massinha?

A: Os dois têm a mesma quantidade.

APLICADORA: Por que?

A: Mesmo fazendo outro formato continuam com a mesma quantidade de massinha.


A menina A encontra-se no estádio de desenvolvimento segundo Piaget, operatório- concreto, período caracterizado pela construção das relações de classificação e seriação, conservação e conceito do número, bem como surgimento da capacidade de reversibilidade do pensamento.


APRENDIZAGEM


          Na primeira aula de Psicologia II deste semestre foi-nos perguntado o que é aprendizagem. Devíamos responder sem consulta, sem estudo prévio. Na ocasião eu respondi que aprendizagem é tomar conhecimento do que antes não sabia. É dar-se conta de coisas novas. É ir juntando peças e formando um novo conceito, mais abrangente.
          É muito interessante e desafiante buscar entender como surge o conhecimento humano. Ao nascer somos totalmente dependentes para tudo. Assim como no nosso corpo as aptidões são adquiridas em etapas (sentar, engatinhar, caminhar, correr) assim também acontece no nosso cérebro. O conhecimento é construído aos poucos, sem pular etapas.
          Na psicologia do desenvolvimento, para Piaget a ação da criança é determinante. Brincar, comer, imitar, defender seu ponto de vista, etc. Se uma criança está, por exemplo, brincando, acontece algo no meio que é novo e isso desacomoda as suas certezas. Com a nova informação junto com o que ela já sabia há um novo conhecimento, construído aí, mais completo que o anterior. Quando a criança acabou de se equilibrar o cérebro ficou ampliado e com essa ampliação ele vê coisas que não via antes. E aí vendo coisas novas acontecem novas desacomodações e novo equilíbrio e assim sucessivamente. Resumindo: cada nova conduta vai restabelecer o equilíbrio e construir um equilíbrio ainda mais estável do que o anterior.
          




ESTÁDIOS DE DESENVOLVIMENTO




Embora estas fases aconteçam em uma idade média, a cronologia não é determinante na definição de cada estádio de desenvolvimento. O que se mantém constante é a ordem de ocorrência dos estádios, sua ordem de sucessão. Isto é, há uma sequência no aparecimento de comportamentos, onde não se pode pular um estádio. As estruturas construídas numa etapa se tornam parte integrante das estruturas da etapa seguinte.