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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

UMA FORMA DIFERENTE DE VER O MUNDO


    Vídeo excepcional sobre o ser diferente, o ter uma deficiência, sobre uma forma diferente de ver o mundo. Esta foi uma das temáticas estudadas no semestre 2017/2. Este vídeo me emocionou e mais uma vez me pôs a pensar como educadora. Estou tendo paciência com meu aluno diferente? Ou suas posturas me irritam e desejo fervorosamente que ele fosse como todos os outros da minha sala, como se este fosse o único jeito certo de se viver?


      

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Sobre crocodilos e avestruzes


       

          Em uma das nossas aulas presenciais refletimos sobre a metáfora dos castelos e crocodilos. Nesta comparação os castelos são nossa zona de conforto e os crocodilos aquilo que nos separa do que achamos que pode nos atrapalhar ou ameaçar.
          Na época medieval os nobres viviam em castelos, rodeados por muralhas. O acesso ao castelo se dava pelos grandes portões, que quando abertos também serviam de pontes. As muralhas eram rodeadas por fosso de água, onde viviam crocodilos. Sendo estes animais fortes e violentos, criavam uma barreira entre o mundo exterior, o povo comum, e os que habitavam o interior dos castelos.
        Na vivência escolar podemos considerar a escola como o castelo e os seus habitantes os educadores e educandos. Nós educadores temos nossa bagagem de vivências e preconceitos adquiridos ao longo da vida. Muitas vezes eles afloram quando nos pegamos pensando sobre novos alunos portadores de deficiência: temos uma turma lotada, alguns alunos hiperativos que inviabilizam praticamente todo meu planejamento de aula. Sou então informada de que receberei um novo aluno portador de uma deficiente física delimitante, um PC por exemplo. A primeira reação pode ser de resistência. Não sei lidar com este tipo de deficiência, como vou trabalhar com ele, como terei tempo de dar-lhe atenção se minha turma já é enorme, se der mais atenção ao novo aluno quem atenderá o restante da turma? As indagações são inúmeras. A maioria destes questionamentos levantados são reais, pertinentes. Porém, acontece de o educador “sair correndo sem saber do que”. Eu já passei por isso e na prática foi muito mais possível do que sequer imaginei. Conclui que meus medos eram frutos de informações tendenciosas e do meu desconhecimento.
       Há também a metáfora do avestruz, que seria o acionamento de mecanismos de defesa diante da diferença significativa. Para Bleger (1977), mecanismos de defesa são técnicas ou estratégias com que a personalidade opera para manter o equilíbrio...eliminando fontes de insegurança, perigo, tensão ou ansiedade, quando por alguma razão não está sendo possível lidar com a realidade. Havendo a necessidade de fugir de uma questão podemos assumir a postura de avestruz e enfiar a cabeça na areia para não ver o que não quero. É o acionamento da negação, que pode apresentar-se de três formas: compensação, simulação e atenuação. O que eu mais presenciei até hoje foi a atenuação. Não raro ouvimos as sentenças: não caminha mas não precisou amputar, tá doente mas tá vivo, dentre outras. Enfiar a cabeça na areia não facilita a vida do deficiente nem atenua sua situação.
        Tanto crocodilos quanto avestruzes são esteriótipos que não resolvem, não ajudam nenhum dos envolvidos. Fizemos uma atividade prática em dupla, onde deveríamos expressar para uma colega quais os nossos próprios crocodilos e em que situações nós enfiávamos a cabeça na areia como os avestruzes. Foi interessante para pensar nisso e expressá-los publicamente. Ao me perguntar sobre como devo contribuir para a sua inclusão das pessoas deficientes, incapazes ou em desvantagem, concluo que é deixando de lado minhas concepções antigas e me abrindo para as possibilidades. Como educadora propiciar aos meus alunos oportunidades, várias e de qualidade!



segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Portadores de Necessidades Especiais


          Este vídeo é uma homenagem às famílias e educadores que tem o privilégio de ter em suas vidas uma criança portadora de necessidade especial. Bem-vindos à Holanda!






EDUCAÇÃO DE PESSOAS COM

NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS



          Trago aqui algumas considerações feitas pelo professor Carlos Skliar, no vídeo produzido dela UCS, sobre Inlusão.

          Ele começa o assunto falando sobre educar para o mundo e para vida. Nos últimos anos o mundo está cada vez mais difícil e a educação deixou de ser uma viagem para o mundo mas para uma pequena parte do mundo, que é o sustento, o trabalho, o emprego, a produtividade do consumo. Como somente ganhar a vida e não aprender como viver? Isso é só sobreviver. 

          Também tenho esta visão saudosista de que seria melhor cuidar da vida, da infância, das crianças, para elas não terem que entrar tão rápido neste mundo horroroso, difícil. Neste mundo onde há a necessidade de se tornar um profissional para saber como vai ganhar a vida e não saber como vai viver sua vida. Quando eu tinha 17 anos encerrei o ensino médio e tinha que escolher uma profissão, para fazer a opção do vestibular. Sendo pobre e tendo vivido com dificuldades sempre, vendo a luta diária dos meus pais pela subsistência, logo me vi pensando assim: tenho que escolher uma profissão que me dê um emprego rápido, uma profissão em que já comece a fazer estágios remunerados na área e que tão logo me forme já consiga emprego. Muitos na minha turma tinham o mesmo raciocínio. Não me permiti sonhar em cursar o que me agradace mas o que desse retorno financeiro o mais rápido possível. Que triste! 

          Professor Skliar fala na sua idéia nostálgica e romântica de se pensar a infância como um tempo único, impossível de se repetir, a oportunidade de não ser obrigado a produzir nada, de poder perder tempo realmente brincando, vivendo sua meninice, fazendo amigos, correndo! A educação infantil é onde a infância deve permanecer. Muitas crianças precisam da escola por não terem oportunidade de ter um destino familiar, pela desigualdade. Mas adultizar a criança é torná-lo infeliz.

          Interessante também quando o professor coloca que onde se fala tanto em inclusão quem sabe ela não exista. Nos países em que a inclusão ocorre plenamente esta palavra já está em desuso, porque a palavra se pronuncía muito onde ela falta!

          E por fim a constatação já sabida, de que as diferenças existem sim! Elas precisam ser trabalhadas com a certeza de que alguns aprendem de maneiras diferentes, mas todos temos muito a aprender!