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domingo, 31 de março de 2019

INSTANTANEIDADE


A instantaneidade é uma característica clara de nossa sociedade atual. 
Tomando como exemplo os meios de transporte temos que, no passado, os reis e barões podiam viajar mais confortavelmente do que seus súditos, mas não mais depressa que eles. Com o advento do vapor e do motor a explosão, algumas pessoas podiam chegar onde pretendiam antes de outras. A modernidade inaugurou a ideia de que “quanto maior, melhor”. Tamanho significava poder. Volume significava sucesso. 
Tudo isso mudou, no entanto, com o surgimento do capitalismo e o desenvolvimento da tecnologia. Por isso “tempo é dinheiro” na pós-modernidade. A era do hardware, de máquinas grandes e pesadas, foi substituída pela leveza do software. Os processadores lentos dão lugar a pequenas unidades que gerenciam a informação instantaneamente. O espaço foi perdendo seu valor estratégico por que já pode ser alcançado em tempo mínimo. Os lugares são destituídos de valor na medida em que pouco ou nenhum tempo precisa ser investido para alcançá-los.
A vida cotidiana assume também essa nova instantaneidade. Essa busca pelo resultado rápido, instantâneo estamos vivendo agora na conclusão desta graduação. É o último semestre e a produção do TCC está em andamento. E eu, como muitas colegas, tenho o desejo de que tudo se resolva rapidamente. Que os conteúdos sejam logo concluídos, que TCC fique logo pronto, que a formatura seja maravilhosa e em curto espaço de tempo. Porque assim que tivermos nosso diploma na mão temos uma nova etapa, que é o mercado de trabalho. Trabalhar é preciso e é o que almejamos.
Pensando nessa questão do tempo, lembrei de uma postagem que fiz aqui neste blog, em 2016. Chama-se TIC TAC e traz como as crianças entendem a passagem do tempo e interagem com ele e pode ser acessada em TIC TAC.



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019



INTERDISCIPLINARIDADE  x LITERATURA



           
A nona revisita às minhas postagens referem-se a três postagens sobre a matemática, publicadas em 18/12/2016 e podem ser encontradas em Operações Aritméticas, Objetos digitais na matemática e Classificação e seriação.
            Na ocasião destas postagens estava cursando a disciplina de Representação do Mundo pela Matemática. Fomos desafiados pelos professores a apresentar atividades que explorassem a noção matemática com a turma na qual estávamos trabalhando. Na época minha turma era de Berçário e inicialmente me senti assustada com a proposta. Ao aprofundar meus estudos e pesquisar um pouco, descobri que é sim possível trabalhar a noção de quantidades, a seriação e agrupamentos e até mesmo usar brincadeiras digitais nos celulares envolvendo esta temática.
            Nos últimos meses realizei meu estágio obrigatório supervisionado e neste momento descobri que a matemática, a ciência e outras áreas do conhecimento também podem ser despertadas a partir da literatura e da contação de histórias. Meu projeto de estágio foi sobre a interdisciplinaridade e para isso usei uma série de Livros do Beleléu, do autor Patrício Dugani. A partir das histórias do Beleléu um leque de possibilidades se abriram e uma das atividades que eu desenvolvi com a turma foi em relação aos números.





          Segundo o Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil (1998),

A oferta permanente de atividades diversificadas em um mesmo tempo e espaço proporciona às crianças a oportunidade de participar de momentos de aprendizagens diferenciadas, pois a cada dia vivenciam novidades e experienciam novas aprendizagens por meio de cantos, desenhos, músicas, pinturas, leituras de livros, modelagens e jogos (RCNEI, 1998, p. 27).

          Foi muito bom constatar que as atividades e estudos que eu desenvolvi lá no meio do curso vem de encontro ao que estou vivendo agora no estágio. A prática abraçou a teoria neste caso!


Mais algumas postagens minhas que relacionam-se ao assunto da interdisciplinaridade:



CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS  x LITERATURA


           
A sétima postagem que eu vou revisitar é sobre as histórias e a literatura, publicada em 16/08/2016 e pode ser encontrada em Dois copos de leite.
       Em 2016/2, na interdisciplinar de Literatura Infanto Juvenil, após estudarmos os elementos que compõe uma narrativa, fomos desafiados a escrever uma. Eu escrevi uma história que intitulei de “Dois copos de leite”. É uma destas histórias de fundo moral, que emocionam e nos ensinam uma lição. Neste caso a lição é sobre a bondade e que ela compensa. Me questiono porque eu escolhi este tipo de narrativa de fundo moral? E me dou conta de que gosto deste tipo de história porque era o que minha mãe contava para mim quando pequena. Ela cultivou em mim o prazer pelas histórias e pela leitura, em consequência. Então, esta é uma das importâncias da contação da história.

Fanny Abramovich enfatiza a importância da contação de histórias aos pequenos:
Ah como é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas muitas histórias...Escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo (ABRAMOVICH, 1991, p.16).

Quais seriam as vantagens das histórias, especialmente para crianças bem pequenas, na educação infantil, que ainda não sabe ler? Como tornar a contação de histórias significativa?  Porque contar histórias para crianças tão pequenas? Porque ao compartilharmos narrativas há também a partilha de sentimentos, como de amor, solidão, medo, que serão armazenados na memória desde a mais tenra idade.
A forma como a história chega à criança irá definir, em boa medida, como as crianças irão relacionar e vivenciar estes sentimentos mais tarde, inclusive na vida adulta. A este respeito, declara Busatto:
Se mergulhar nesse universo é fascinante para nós, adultos, que esquecemos de nos embriagar com a magia, que dirá para a criança, a qual constrói deliberadamente um mundo onde tudo é possível. Ao contar uma história para elas estaremos oferecendo um alimento raro, pois iremos colaborar para que seu universo se amplie e seja mais rico. (BUSATTO, 2003, p.12)

            Este lidar com os sentimentos e compreensão de mundo é uma das importâncias das histórias na infância. Sobre outros benefícios falarei em outras postagens e no meu TCC, pois este é o assunto que escolhi para o mesmo.


Referências:
ABRAMOVICH, Fanny. Literatura Infantil Gostosuras e Bobices. 5. ed. - São Paulo: Scipione, 2006 . 

BUSATTO, Cleo. Contar e Encantar: pequenos segredos da narrativa. Petrópolis, RJ, Editora Vozes, 2003.





quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019


O BRINCAR E O IMAGINÁRIO


            A sexta postagem que eu vou revisitar é sobre a brincadeira e o imaginário, publicada em 30/12/2015 e pode ser encontrada em A importância do brincar
Nesta postagem eu colocava que o brincar é uma importante forma de comunicação e é por meio deste ato que a criança pode reproduzir o seu cotidiano, num mundo de fantasia e imaginação. Na citação abaixo Leardini (2006) fala um pouco sobre a importância da função simbólica.
“O desenvolvimento da função simbólica é uma importante manifestação para a estruturação do desenvolvimento cognitivo e afetivo da criança em idade pré-escolar” (LEARDINI, 2006, p.6).

            Além das brincadeiras as histórias também mechem com a imaginação e a criatividade. Por meio de exemplos contidos nas histórias as crianças adquirem vivências, exploram suas emoções e criam no seu imaginário situações vívidas de sua realidade. Isto as auxilia a lidar com situações reais e conflitos do seu cotidiano.
Para Abramovich (1991) ler para as crianças é:
(...) suscitar o imaginário, é ter a curiosidade respondida em relação a tantas perguntas, é ter outras idéias para solucionar questões (...). É uma possibilidade de descobrir o mundo imenso dos empasses, das soluções que todos vivemos e atravessamos (...) e assim esclarecer melhor as próprias dificuldades ou encontrar um caminho para a solução delas. (ABRAMOVICH, 1991, p.17)
Desta forma, tanto o brincar quanto as histórias valem-se do imaginário para construir a concepção de mundo de cada criança.



Referências:
ABRAMOVICH, Fanny. Literatura Infantil Gostosuras e Bobices. 2. ed. - São Paulo: Scipione, 1991.
LEARDINI, Eleusa M. F. O contar histórias na educação infantil: um estudo acerca dos valores atribuídos por professores sobre a importância dessa prática para o desenvolvimento da função simbólica. Campinas, Unicamp, 2006.



Mais algumas postagens minhas sobre o brincar:
Brincar
Brincadeiras em cena


INFÂNCIA




            A quinta postagem que eu vou revisitar é sobre a infância, publicada em 30/12/2015 e pode ser encontrada em: Infância como fenômeno social.


A infância como temos hoje é uma concepção relativamente nova, pois como já citei aqui no blog (Maquinaria escolar) somente a partir do século XVII começou a se ter um novo olhar sobre as crianças e a educação das mesmas.     É com a tomada do poder pela burguesia após a Revolução Francesa e a nova ordem social estabelecida que é inaugurada a ideia de se fazer uma escola para o povo. Surge então a escola pública gratuita. O aluno pode então através da escola se tornar um cidadão. Esse direito deve ser assegurado, por meio do Estado, a todas as crianças, independente de sua origem social.
Segue-se a partir daquele momento uma série de condições históricas que serão amalgamadas no princípio do século XX e contribuirão para a invenção da categoria aluno. Segundo VARELA e ALVAREZ-URIA (1992) são elas:
·         a definição de um estatuto da infância, baseado numa ciência pedagógica;
·       a emergência de espaço específico de outras formas de socialização, que ao anunciar-se como espaço de proteção das crianças, significa muito mais do que isso: um enclausuramento que força o rompimento com os laços de sangue, de amizade, com a relação do bairro, com a comunidade, com os adultos, com o trabalho, com a terra;
·     a imposição da obrigatoriedade escolar decretada pelos poderes públicos e sancionada pelas leis;
·  o aparecimento de um corpo de especialistas da infância dotados de tecnologias específicas e de elaborados códigos teóricos (p.69).
Seria possível assim relacionar a visibilidade do conceito aluno com os múltiplos olhares que têm se dirigido à infância no último século, principalmente da pedagogia, da medicina e da psicologia. Olhares que pretendem falar a verdade sobre ela. Discursos que produzem efeitos na legislação da criança, nas relações familiares e, em especial, nas práticas escolares.
No Brasil a infância foi contemplada na Constituição Federal de 1988 e no Estatuto da Criança e do Adolescente, alcançando um panorama maior de direitos e esclarecimentos sobre a criança. Na educação a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional estabelece que:
Art. 22 - A Educação básica tem por finalidades desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores. (BRASIL, 1996, P. 20)

Há portanto atualmente a valorização da criança como um cidadão dotado de direitos, um ser social que constrói e é construído historicamente!


Referências:
BRASIL, [Lei Darcy Ribeiro (1996)]. LDB: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996, 5ª ed. Brasília: Câmara dos Deputados, Coordenação Edições Câmara, 2010.

VARELA, Julia., ALVAREZ-URIA, Fernando. A Maquinaria escolar. Teoria & Educação. São Paulo, n. 6, p.68-96, 1992.




terça-feira, 19 de fevereiro de 2019


ENSINAR PELO EXEMPLO



            A quarta postagem que eu vou revisitar é sobre dar o exemplo para criar o hábito da leitura, publicada em 02/12/2015 e pode ser encontrada em: Ensinar pelo exemplo
Na época que publiquei esta postagem estava estudando Emilia Ferrero. Me chamou a atenção as falas dela sobre a leitura na educação infantil e veio de encontro ao que eu já pensava, que o ato de ler um livro para uma criança vem acompanhado de afeto, pela criança e pelo livro. Através deste ato de carinho despertamos neles a vontade de compreender aquilo que conhecem, bem como palavras e conceitos que ainda desconheciam. Isso abre portas para um universo novo, o mundo das letras, da leitura. E não se trata de antecipar etapas e sim de apresentar às crianças a utilidade da escrita.
Segundo Abramovich (2006, p. 16) “escutar histórias é o início da aprendizagem para ser leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão de mundo”. E ainda:
“Como é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas muitas histórias...Escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo...(ABRAMOVICH, 1991, p.16).

Ao realizar meu estágio supervisionado numa turma de maternal, pude perceber o interesse que o livro desperta nas crianças e que, a importância que o educador dá ao livro é um exemplo que os arrasta para ser um futuro leitor!


Referências:
ABRAMOVICH, Fanny. Literatura Infantil Gostosuras e Bobices. 5. ed. - São Paulo: Scipione, 2006 . 


INTERDISCIPLINARIDADE x LITERATURA



        A terceira postagem que eu vou revisitar é sobre os tipos de conhecimento, que publiquei em 23/11/2015 e pode ser encontrada em: Tipos de conhecimento .
Na época em que escrevi esta postagem estávamos estudando este assunto no PEAD e coincidiu com o projeto Adote um Escritor. Este projeto de literatura da Prefeitura Municipal de Porto Alegre me trouxe a constatação de que, através dos livros, eu teria abertura para explorar cada tipo de conhecimento: social, físico, motor e lógico. A literatura abre um universo de possibilidades através dos assuntos abordados nas histórias infantis. Segundo Fanny Abramovich (1991):
“Como é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas muitas histórias...Escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo...(ABRAMOVICH, 1991, p.16).

As histórias infantis, que é o tema do meu TCC, trazem muitos benefícios para as crianças de forma multidisciplinar. Isto é, através de uma história, de um livro, posso trabalhar a noção matemática, a coordenação motora, a oralidade e a socialização. Isto foi o que aconteceu no meu estágio obrigatório. Meu projeto era sobre os livros de Dugani, o “Beleléu”. Através de três livros desta série trabalhei a interdisciplinaridade, que está contemplada da nossa Base Nacional Comum Curricular:
...a educação tem um compromisso com a formação e o desenvolvimento humano global, em suas dimensões intelectual, física, afetiva, social, ética, moral e simbólica. Além disso, BNCC e currículos têm papéis complementares para assegurar as aprendizagens essenciais definidas para cada etapa da Educação Básica, uma vez que tais aprendizagens só se materializam mediante o conjunto de decisões que caracterizam o currículo em ação. São essas decisões que vão adequar as proposições da BNCC à realidade local. Essas decisões (...) referem-se a decidir sobre formas de organização interdisciplinar dos componentes curriculares e fortalecer a competência pedagógica das equipes escolares para adotar estratégias mais dinâmicas, interativas e colaborativas em relação à gestão do ensino e da aprendizagem. (BNCC, 2018, p.60)

          Desta forma vejo que meu estágio, que é bem atual, veio confirmar meus estudos do início do curso, por ocasião da postagem analisada aqui.


Referências:
ABRAMOVICH, Fanny. Literatura Infantil Gostosuras e Bobices. 5. ed. - São Paulo: Scipione, 2005 . 

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria da Educação Básica. Base nacional comum curricular. Brasília, DF, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/wp-content/uploads/2018/02/bncc-20dez-site.pdf. Acesso em: dez. 2018.

Obs: Mais uma postagem minha sobre o Adote o Escritor pode ser encontrada em Projeto de Literatura da PMPA



MAQUINARIA ESCOLAR




A segunda postagem que eu vou revisitar é sobre os Encantos e (des)encantos da educação, que publiquei em 2015/2: (Des)encantos da educação . 
Esta publicação trouxe as diferenças entre o estudo oferecido aos ricos e aos pobres desde sempre. Para entender melhor, faço aqui uma revisão do que era a infância há alguns séculos atrás.
A invenção ou regulação da categoria aluno está relacionada à descoberta da infância. A criança, tal como a percebemos hoje, não é eterna nem natural (Àriés, 1981, p.50).
O trabalho do historiador e escritor Phillipe Ariès apresenta a história social da família e da criança. Suas pesquisas apontam para o fato de que até por volta do século XII, não havia lugar, na arte ocidental, para a infância. No século seguinte, a arte exibia, de forma tímida ainda, o que se pensava das crianças, como homens de tamanho reduzido. Haviam quadros com representações de anjos pequenos nus e a criança modelo de todas as demais era o menino Jesus. Durante o século XIV e XV esses tipos medievais evoluíram e no século XVI desprende-se da iconografia religiosa e passa a ser representada na arte leiga, mostrando crianças ainda não sozinhas, sempre acompanhada ou entre vários adultos.
As causas para essa ausência da figura infantil remonta ao período histórico em que se vivia. As condições demográficas indicavam altas taxas de natalidade e de mortalidade na Europa neste período. Áriès complementa:

“Ninguém pensava em conservar o retrato de uma criança que tivesse sobrevivido e se tornado adulta ou que tivesse morrido pequena. No primeiro caso a infância era apenas uma fase sem importância, que não fazia sentido fixar lembrança. O sentimento de que se faziam várias crianças para conservar apenas algumas era, e durante muito tempo permaneceu, muito forte” (Áriès, 1981, p.56)

Parece que a infância só passa a adquirir importância comparada à da vida adulta no século XVII. Os retratos de crianças sozinhas ou no centro da família se tornaram comuns nesse período. No século seguinte temos informação das primeiras delimitações da fase da juventude. O termo juventude faz referência a uma primeira infância e adolescência. No século XIX então o bebê aparece como uma nova figura também.
No artigo Maquinaria Escolar Álvares e Varela observam que o fato de Áriès ter relegado a análise da infância pobre limitou o seu trabalho, o impedindo de perceber que:
“A infância rica vai ser certamente governada, mas sua submissão à autoridade pedagógica a aos regulamentos constitui um passo para assumir melhor, mais tarde, funções de governo. A infância pobre, pelo contrário, não receberá tantas atenções, sendo os hospitais, os hospícios e outros espaços de correção os primeiros centros-pilotos destinados a modelá-las” (VARELA e URIA, 1992, p. 75)

A concepção de infância foi mudando ao longo do tempo e muitas conquistas foram alcançadas. Contudo ainda, na prática, existe diferenciação entre ricos e pobres. As profissões que remuneram melhor, como os médicos por exemplo, têm o mais alto custo do curso de graduação. Assim, quem consegue cursar um curso de medicina é o aluno que tem condições de pagar pelo curso, estando em melhor condição financeira e perpetuando assim sua condição. Este é só um exemplo, dentre muitos casos existentes. É o (des)encanto da educação, sobre o qual falei na publicação de novembro de 2015, citada acima!


Referências:
ARIÈS, Philippe. História Social da Criança e da Família. 2 ed. Rio de Janeiro: LTC, 1981.
VARELA, Julia., ALVAREZ-URIA, Fernando. A Maquinaria escolar. Teoria & Educação. São Paulo, n. 6, p.68-96, 1992.

domingo, 10 de junho de 2018




LINGUAGEM 





Proposta de trabalho que favoreça o desenvolvimento da linguagem


Prática: Diálogos com crianças para estimular o desenvolvimento da fala, para que a criança consiga manifestar o que quer, não permitindo que ele só se manifeste por gestos.

Objetivo: Identificar e nomear coisas e pessoas verbalmente.


Faixa etária: Maternal, 3 anos.

      Trago as atividades que faço com a aluna A, que está em processo de aquisição da linguagem oral aos 3 anos. Sabemos que cada criança tem seu ritmo próprio. Ela fala fluentemente uma linguagem própria, na maioria das vezes incompreensível, com algumas palavras identificáveis. Ela expressa bem: mãe, pai, Murilo (nome do irmão), xixi, cocô, boneca, quero, não, feijão, dentre várias outras. Na construção de frases ela fala muito rápido e não se consegue identificar o que é. 

Detalhamento das atividades práticas:

1.    Música: aluna A gosta muito de música, especialmente a música do Filme Frozen. Então em momentos de descontração cantamos a música com ela, individual ou com os colegas, para assim levá-la a pronunciar as palavras. 



2.    Máquina de apertar: Escrevi as palavras música e história em uma folha e a penduro na minha blusa. Estas placas funcionarão como os botões de uma máquina. Então as crianças que quiserem ouvir música tem que vir até mim, apertar a placa e dizer música e então eu canto uma música com eles. A criança que quiser ouvir uma história tem que apertar o botão história e eu a contarei.


3.    Chamadinha: Como nossa turma é de maternal e não são alfabetizados ainda, adotamos um bonequinho para identificar cada criança. Nos primeiros dias do ano levamos as imagens de alguns monstrinhos e cada um escolheu o amiguinho que seria sua identificação durante o ano. 


          Esta identificação é usada no local onde se colocam as mochilas, no armário de materiais e na chamadinha. As educadoras, Cleide e Gabriele, também tem o seu identificador. Descobrimos recentemente que as crianças memorizaram não só o seu monstrinho, mas também conseguem identificar o monstrinho de cada colega da turma. Então usamos isto para leva-los a pronunciar o nome dos colegas. A aluna A é uma das crianças que sabe identificar as plaquinhas dos colegas.




Piaget explicaria que ela a aluna A está construindo seu conhecimento, que está adquirindo experiência em cada estágio do desenvolvimento, sendo que ela está no pré-operatório.


Vygotsky colocaria que a aluna A está valendo-se da interação com outras pessoas para aprender a falar, pois muitas palavras ela tenta imitar a forma como o adulto, mediador, fala. A professora, por exemplo, é chamada de profe em sala de aula e aluna A chama de côpi. Ela está imitando o que os colegas falam, o que ela ouve no seu meio de convivência, aprendendo de fora pra dentro, como defende Vygotsky.







Estudo baseado no texto Pensamento e Linguagem, de Adrián Montoya, juntamente com lâminas sobre Vigotsky, disponibilizados no Moodle para estudos das semanas 8 e 9 de Linguagem.

Imagens e vídeo de acervo pessoal Cleide.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

BRINCAR




      Na aula presencial do dia 21 de maio tivemos o prazer de ter a Palestra "Sala de aula é lugar de brincar?" com a Profa. Dra. Tânia Fortuna da Faculdade de Educação da UFRGS,  Coordenadora  Geral do Programa de Extensão Universitária "Quem quer brincar?".

     Foi uma aula fantástica, lembrando-nos que aprender brincando é possível sim! Mas não foi uma aula com "10 sugestões de atividades lúdicas" ou listas do tipo, foi muito além! Dentre tantas contribuições, Tânia Fontoura  começou falando da sua experiência em sala de aula e das tantas tentativas frustadas. Contou sobre sua história de vida, que é filha de professores, cresceu neste meio, sempre quis ser educadora e tinha muitas certezas, quase todas derrotadas na hora de pôr em prática. Até pensou em desistir, mas não! Foi perseverante e foram anos até conseguir achar o meio termo entre a aula tradicional e a aula liberal com a qual sonhou.

       Este reconhecimento do que deu errado me trouxe o consolo de que não existem professores perfeitos, técnicas perfeitas, alunos perfeitos, teorias perfeitas! Existe dedicação e um não conformar-se, existe o continuar buscando esta troca de aprender e ensinar, sempre!

terça-feira, 1 de maio de 2018

ESCOLAS DEMOCRÁTICAS




          O vídeo acima chama-se "Escola Democrática" e a primeira questão que me chamou atenção neste curta foi exatamente o fato de retratar uma escola NÃO democrática.

          Trata-se de uma escola que desconsidera as novas ideias dos alunos, desde o professor até o diretor, uma escola auditório, com aulas repetitivas, expositivas, favorecendo uma aprendizagem engessada. Este ensino conteudista, com foco na teoria, é também descontextualizado, uma vez que dispensa a prática, como visto na aula de ciências por exemplo. A professora estava explicando sobre a morfologia da borboleta, através de um desenho no quadro e explanação oral. Uma borboleta exatamente igual pousou na janela, coincidentemente no momento da explicação. Uma aluna notou a borboleta e fez esta identificação. A professora, no entanto, não gostou de a aluna olhar a borboleta real que pousou na janela. Imagino que a professora não queria que ela se distraísse da explicação que estava sendo dada, no entanto aquela era a prática de sua explicação, era a prova real que faria tanto sentido para os alunos. Mas a professora tinha um cronograma a cumprir, um horário, um planejamento e não podia “perder tempo”. É uma explícita rigidez, um ritmo mecanicista, uma inflexibilidade, como se tratasse de uma fábrica de parafusos.
          Neste contexto empirista, temos então um aluno condicionado que não cria, mas apenas reproduz. Há um trecho que mostra os alunos fazendo prova e no momento desta, enquanto ele escrevia, os conteúdos formatados iam vazando da sua mente para o papel. Ao final da prova sua mente não retinha nada, pois foi mera decoreba, não houve construção de conhecimento.

          Que bom que é apenas um desenho animado, não é a filmagem de um fato e desejo que não reproduzamos estas práticas em nossas salas de aula.





CICATRIZES PEDAGÓGICAS ?



          Existe uma história que fala sobre um menininho que um dia foi criativo e interessado, mas que deixou de ser pela influência de uma professora. Em umas das atividades de Didática falamos nas marcas que as práticas pedagógicas deixaram na nossa vida e nós deixamos na vida dos nossos alunos hoje. Seria isso uma cicatriz pedagógica?

          Diante deste garotinho meu desafio seria mostrar a ele que não há a imposição de regras rígidas a serem seguidas para se fazer um desenho, por exemplo. Que ele pode usar tantas cores quantas quiser, desenhar o que desejar e mostrar as coisas que aprecia através das coisas que desenha e escreve. Que não há certo e errado na arte, existe a expressão do que cada um pensa e sente. 

          Para que ele readquira a autonomia e a criatividade penso que o professor precisa ensinar a fazer as coisas sozinho. Ensinar dá trabalho! Em uma turma de crianças bem pequenas, como Berçário 2 e Maternal 1, muitas vezes é muito mais prático alcançar as coisas pras crianças do que ensinar a buscar. Eles derrubam material, borram com tintas, mas este processo é necessário. Precisa fazer parte da rotina escolar dos pequenos que cada um saiba onde está seu material, que aprendam a lavar as mãos, escovar os dentes, avisar quando quer ir no banheiro, pois tudo isto colabora com a independência e iniciativa na tomada de decisões das crianças.

          Se eu pudesse escolher uma marca, que eu gostaria que minha prática pedagógica deixasse nos meus alunos, escolheria o protagonismo das crianças. Que meus pequenos sintam confiança no que elas podem fazer, que sintam que sua professora está disponível para ajudar quando ele precisar de mim, mas que eles têm condições de tentar e descobrir como fazer cada coisa. Sentir-se confiante é um dos principais requisitos para alcançar os objetivos, correr atrás do que se quer e conquistar grandes coisas, desde a mais tenra idade até os adultos!

Referência: BUCKLEY, H. E. 1961 The little boy [Originalmente publicado na Revista School Arts Magazine, mas sem outras referências].