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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016


TIC TAC

           Explicar o que é o tempo não é tarefa simples.
          Para os adultos, noção de passado, presente e futuro pode parecer fácil, mas esses conceitos abstratos são um desafio para as crianças. Então, como trabalhar esse conhecimento com as crianças, especialmente na educação infantil?
          O conceito de passagem de tempo é algo difícil para as crianças pequenas entenderem e isso ocorre porque elas ainda não tiveram muitas experiências em suas vidas para poder medir corretamente o tempo. À sua maneira elas vão construindo concepções a respeito do assunto e vão adquirindo noção de tempo cronológico e as implicações da passagem dos anos.
          Meu filho de 7 anos está começando a construir suas noções com base nos acontecimentos que lhe são familiares. Ele sabe, por exemplo, que o aniversário dele é bem pertinho do Natal (21/12) e que isto é depois que as aulas terminam, perto das férias. Sabe também que a semana termina no sábado, pois este é um dia diferente, quando vamos à igreja, quando não tem aula.
          Os alunos que já passaram por mim na turma de berçário 1 e agora estão nas turmas de maternal e jardim demonstram a concepção de passado quando identificam: “eu agora sou grande, mas já fui bebê quando era teu aluno”. Na minha turma de B2 eles reconhecem as horas do dia pela rotina da sala: identificam que depois do almoço é hora do soninho e que depois da janta a mãe vem buscar pra irem pra casa.

Sugestão de atividades:
  • Rotina em fichas ilustradas pras crianças ordenarem (amanhecer, chegada na escola, brincadeiras no pátio, almoço, soninho, atividade em sala, janta, horário da saída pra casa, noite)
  • Cubos com as 4 estações do ano
  • Border a ser colocado na parede da sala na altura das crianças, com datas comemorativas que elas reconhecem: férias, carnaval, páscoa, dia das mães, dia dos avós, dia dos pais, dia das crianças, natal.



segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

O TEMPO


          O texto de Cristiane Oliveira que estudei esta semana fala sobre o tempo, mais especificamente sobre o tempo escolar. Cristiane começa muito acertadamente citando Drummond, Cortar o Tempo! Nos leva a pensar na correria que vivemos contando as horas pra chegar em casa, os dias pra chegar o final de semana, as semanas pra chegar o dia do pagamento, os meses pra chegar as férias. E assim vivemos escravos do tempo que sempre nos falta. Quem me dera ter mais tempo com meus filhos, com a família, descansando, vivendo! Cumprimos uma lista de cem obrigações e nos damos por satisfeitos quando as concluímos todas. Mas será que é só isto?

          Remetendo-nos ao tempo escolar nos damos conta de que também corremos atrás de cumprir prazos. Fatiamo-nos em bimestres, anos, períodos letivos, currículo que deve ser cumprido. Mas às vezes o que foi pré determinado não é o que interessa ao meu aluno. Já se depararam com a obrigação de passar um conteúdo determinado e ao chegar em aula o olho dos seus pequenos brilharem de interesse por outra coisa? E aí, o que fazer se o que eles adorariam estudar seria a era dos dinossauros e não a colonização portuguesa hoje? Sonho com um tempo em que se possa ter autonomia para dispôr dos conteúdos que acrescentem e satisfaçam o interesse aos meus alunos.

          Temos verificado que a chamada escola de educação integral tem se configurado em torno do aumento do tempo de permanência dos alunos na escola, constituindo mais uma escola de tempo integral do que de educação integral. Crianças desde bem tenra idade já ficam 12 horas por dia na escola. Não creio que seja este o objetivo primeiro de uma educação integral!

          Cristiane encerra sua reflexão questionando: “que espaços educacionais nos permitiriam viver o tempo como tempo de criação? Um espaço onde o tempo pedagógico envolva todas as formas de conhecimento para além do conteudismo. Um espaço onde se viva a alegria de aprender a cada momento”!



Fonte:
OLIVEIRA, Cristiane et al. Questões sobre o tempo no espaço escolar. Disponível em: <http://www.ufjf.br/espacoeducacao/files/2009/11/cc07_1.pdf> Acesso em 20 set. 2016.

Pertencimento Escolar



Acredito que se os sentimentos de pertencimento e identidade estiverem presentes nas relações humanas na escola, valores como respeito, cuidado, ajuda ao próximo também se farão mais presentes.
Tanto os educadores, quanto os alunos, dão sentido às instalações físicas que uma escola tem. Que valor teria uma sala com classes e cadeiras se não houvesse o professor e os alunos? Que utilidade teria uma boa refeição se não houvesse quem alimentar?

Ao me questionar sobre o que significa pertencer ao espaço escolar, em como me vejo como professora na EMEI Nadal e como aluna no PEAD, cheguei a conclusão que sou parte integrante destas duas grandes escolas. 

          Preciso da escola onde trabalho e ela precisa de mim, assim como todas as pessoas que fazem parte dela. Consegui ver isto de forma clara ao revisitar fotos tiradas este ano.



   






          Com estas fotos me vi como num espelho. Enxerguei a Cleide funcionária, colega, amiga, educadora, protetora dos pequenos e participante dos projetos.

          E na UFRGS, quem sou eu?  Sou a aluna que precisa muito do conhecimento que esta graduação vai me acrescentar. Sou a Cleide orgulhosa de ser aluna da UFRGS, que  gosta muito das colegas, que faz trabalho em grupo, que enfrentou o desconhecido, que apresenta workshops, corre atrás dos prazos (bem atrás inclusive) pra apresentar os trabalhos. 
          Lembro bem do primeiro dia de aula, em novembro de 2014, auditório cheio de balões coloridos, tudo novo, tudo desafio! 






          Nem nos prazos mais apertados pensei em desistir, porque não posso, porque não quero, porque faço parte desta caminhada até o fim, até a formatura!







Representação do Mundo pelos Estudos Sociais





          Na segunda semana da interdisciplina de Estudos Sociais fomos levados a ler e escrever sobre dois textos, que falam sobre a história do ensino de Geografia e História no Brasil. 
          Gostei do texto de história. Na p. 145 Nadai citou Furet, onde este dizia que “a história é a árvore genealógica nas nações”. Ele estava se referindo às nações européias, mas aplica-se a todas as nações. Achei bom falar da história de um país como uma árvore genealógica, faz sentido. Estudar o passado não é enfadonho, faz parte conhecer como as coisas aconteceram antes de nós. Lembro de ter ído à biblioteca pública de Porto Alegre pesquisar a árvore genealógica da minha família. Foi um trabalho solicitado na matéria de história. Eu nunca tinha ido no centro sozinha, então nos reunimos algumas colegas e fomos. Entrar naquela biblioteca gigante foi outra surpresa, achar os livros e registros outro desafio. Tivemos uma tarde para pesquisar, neste dia não tivemos aula na escola, foi um dia totalmente diferente e me lembro com clareza até hoje, 30 anos depois. Que aula foi aquela!!
          O presente estou componho. Nós somos história, estamos fazendo a história que nossos descendentes vão estudar. Inteirar-se do que já aconteceu pode ser bem interessante, a exemplo do que aconteceu comigo esta semana. Minha filha tinha prova de história, 5º ano, sobre os anos de ferro da ditadura brasileira. Ao revisar com ela me dei conta de que vivi a ditadura até meus 12 anos. Fiquei espantada por não parado pra pensar nisto ainda. A ditadura parecia algo tão distante pra mim. Então lembrei que aparecia na televisão os cartazes nas manifestações de diretas já. Lembro do Tancredo Neves ter sido eleito e morrido logo em seguida e meu pai comentar que tinham matado ele, não tinha como ter sido morte natural. Quando nos toca deixa de ser enfadonho, foi o que senti.
          No texto de geografia gostei da experiência que fizeram com os alunos das duas escolas citadas. Eles receberam uma foto de um lugar conhecido deles e foram requisitados a completar a imagem com o que existia no entorno. Interessante ver que alguns colocaram mais detalhes, outros menos, alguns pontos que eram importantes no bairro, outros passaram batido pelo mesmo ponto e desenharam outra coisa. Nossos pontos de vista alteram como vemos o que existe ao nosso redor!  
          Há alguns meses, nosso presidente da república Michel Temer lançou uma proposta de reforma do ensino médio. A primeira mudança importante determinada pela medida provisória é que o conteúdo obrigatório será diminuído para privilegiar cinco áreas de concentração: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnico/profissional. Creio que estas mudanças farão nova história do estudo no Brasil. Daqui há alguns anos estaremos novamente reavaliando, como eu citei no início desta postagem, a história do ensino no Brasil, não só em história e geografia mas como um todo. Torço para que o resultado destas mudanças sejam positivas!

Fonte:
1)      NADAI, Elza. O ensino de história no Brasil: trajetória e perspectiva. Revista Brasileira de História. São Paulo, v.13, n.25/26, p.143-162, set.92/ago.93.

2) CASTROGIOVANNI, Antonio; COSTELLA, Roselane. Geografia e a cartografia escolar no ensino básico: uma relação complexa - percursos e possibilidades. In: SEBASTIÁ, Rafael; TONDA, Emilia. La investigación e innovación en la enseñanza de la Geografía. Alicante: UNE, 2016, p.15-26.