domingo, 3 de junho de 2018
TECNOLOGIA EM AULA
Na interdisciplina de Educação e Tecnologias foi-nos dada a tarefa de trazer uma atividade inovadora realizada em sala de aula. Segue a descrição da atividade e vídeo.
O que e como foi realizado? Trabalho sobre os Correios, não poderia ser entregue por escrito em papel. Poderia usar outra forma de apresentação.
Quais tecnologias foram utilizadas? Turma foi dividia em grupos e tinham liberdade de escolher sua técnica. Alguns grupos fizeram um vídeo sobre o assunto, outros grupos fizeram uma encenação teatral em aula, um deles entrevistou um funcionário dos Correios, com perguntas que contemplavam o que se queria do conteúdo do trabalho.
Quais os resultados dessa experiência? Os alunos não gostaram inicialmente, pois deu muito mais trabalho do que pesquisar no Google e entregar por escrito. Mas no final os alunos relataram que memorizaram mais, pois tiveram que saber mais para poder falar sobre, tanto no vídeo, quanto ao vivo em aula, quanto na entrevista. Como resultado o conteúdo foi bem esmiuçado, bem trabalhado.
INOVAÇÕES PEDAGÓGICAS
Inovações
pedagógicas
são novas maneiras de fazer o ensino em sala de aula, a fim de
acompanhar as mudanças que ocorrem na sociedade, em todos os campos,
o tempo tempo.
Ao
observarmos ao nosso redor vemos que as coisas mudam constantemente.
Os carros que andamos hoje são bem diferentes dos que andávamos há
40 anos. O trânsito muda, os corredores dos ônibus estão
diferentes, há mais viadutos, pardais que não existiam antes.
Produtos de beleza, roupas com proteção UV, calçados anatômicos,
medicamentos sendo descobertos e criados. Na área da tecnologia
então, os computadores, TVs e telefones tornam-se obsoletos a cada
dia, visto o quanto se renovam as facilidades nestes itens.
Então,
diante disto tudo, porque só a educação se mantém exatamente
igual? A sala de aula do meu filho não é muito diferente da minha
quando tinha a mesma idade. A inovação pedagógica busca atualizar
nossos fazeres pedagógicos, para que acompanhem as constantes mudanças
que vivemos.
Cunha
traz em seu texto que:
“Entendemos
que a inovação requer uma ruptura necessária que permita
reconfigurar o conhecimento para além das regularidades propostas
pela modernidade. Ela pressupõe, pois, uma ruptura paradigmática e
não apenas a inclusão de novidades, inclusive as tecnológicas.
Nesse sentido envolve uma mudança na forma de entender o
conhecimento”. (Cunha, 1998)
quarta-feira, 30 de maio de 2018
EJA
Trago aqui uma reflexão sobre quem é o aluno da Educação de
Jovens de Adultos. O sujeito da EJA é o aluno não
criança,
em grande parte um trabalhador que está buscando concluir seus
estudos a fim de conseguir um emprego melhor, um repetente, pertence
à classe econômica mais baixa, que enfrenta o cansaço de muitas
vezes trabalhar o dia todo e estudar à noite.
Os
jovens e adultos não chegam na escola sem nenhum conhecimento. Eles
reconhecem alguma coisa, como sua assinatura, marcas de produtos bem
conhecidos e as letras e números, por exemplo. Também têm sua
bagagem cultural, seu conhecimento de vida. Mas isto não é o
suficiente e em busca da realização de ler este adulto vai em busca
da escola, do EJA.
Emilia
Ferrero, como Paulo Freire, tem o homem como sujeito construtor do
seu conhecimento.
Em
função dos dados obtidos com crianças, Emília Ferreiro
interessou-se por investigar
como os adultos não escolarizados concebiam a escrita. Partia do
princípio de que se a compreensão do código escrito precede a
entrada na escola, os adultos não escolarizados teriam também, como
as crianças, algumas concepções sobre a escrita. E que a ser
verdade, poderíamos operar modificações nas propostas
metodológicas: esta investigação foi guiada também por uma
inquietação pedagógica: não será possível considerar uma ação
alfabetizadora que tome como ponto de partida o que estes adultos
sabem, em lugar de partir do que ignoram? Não será acaso nossa
própria ignorância sobre o sistema de conceitos destes adultos o
que nos leva a tratá-los como se fossem ignorantes? O respeito à
pessoa analfabeta não deixa de ser um enunciado vazio quando não
sabemos o que é que se deve respeitar? Os resultados da investigação
permitiram concluir que a aquisição da escrita é uma aquisição
conceitual para crianças e adultos, construída pelo sujeito nas
relações com o meio, do mesmo modo que se observa em outras áreas
do conhecimento. (HARA, p.4)
Além
do benefício prático que o ler traz há a valorização humana que
esta conquista traz. É emocionante ver que a relação com o mundo
muda a partir do momento em que se consegue ler. Especialmente as
pessoas de mais idade sentem uma libertação quando se vêem lendo.
Identificar o nome de uma rua, o nome de um remédio, as placas no
trânsito, trazem ao adulto segurança. É libertador! Uma das
senhoras relatou que a partir do momento que conseguiu ler começou a
perceber o mundo de forma diferente. Passou a entender os programas
de TV, o que não acontecia antes de ler. Essa realização aumenta
auto-estima e isto fortalece as pessoas, faz com que se sintam mais
preparadas pra enfrentar o mundo.
REFERÊNCIAS:
terça-feira, 29 de maio de 2018
Revisitando estudos
Na
interdisciplina Seminário Integrador VII revisitamos alguns
conceitos que estudamos no decorrer do curso. Trago aqui quatro
deles, a saber: Escolas democráticas, Construtivismo na ação
pedagógica, Empirismo na ação pedagógica e Maquinaria escolar.
As
escolas
democráticas
estão inseridas dentro de uma linha chamada de Pedagogia Libertária
que se caracteriza por abordar a questão pedagógica diante de uma
perspectiva baseada na liberdade e igualdade, eliminando as relações
autoritárias presentes no modelo educacional tradicional. Uma
escola
democrática
é uma escola que se baseia em princípios democráticos, em especial
na democracia participativa, dando direitos de participação iguais
para estudantes, professores e funcionários. Esses ambientes de
ensino colocam os alunos como os atores centrais do processo
educacional, ao engajar estudantes em cada aspecto das operações da
escola, incluindo aprendizagem, ensino e liderança. Os adultos
participam do processo educacional facilitando as atividades de
acordo com os interesses dos estudantes.
Outro
aspecto importante de uma escola
democrática
é dar aos estudantes a possibilidade de escolher o que querem fazer
com seu tempo. Em muitas escolas, não existe a obrigatoriedade de
frequentar as aulas. Os estudantes são livres para escolher as
atividades que desejam ou que acham que devem fazer. Dessa forma
aprendem a ter iniciativa. Eles também ganham a vantagem do aumento
na velocidade e no aproveitamento do aprendizado, como acontece
quando alguém está praticando uma atividade que é do seu
interesse. Os estudantes dessas escolas são responsáveis por e têm
o poder de dirigir seus estudos desde muito novos.
O
construtivismo
propõe que o aluno participe ativamente do próprio aprendizado,
mediante a experimentação, a pesquisa em grupo, o estímulo a
dúvida e o desenvolvimento do raciocínio, entre outros
procedimentos. A partir de sua ação, vai estabelecendo as
propriedades dos objetos e construindo as características do mundo.
O
método construtivista enfatiza a importância do erro não como um
tropeço, mas como um trampolim na rota da aprendizagem. A teoria
condena a rigidez nos procedimentos de ensino, as avaliações
padronizadas e a utilização de material didático demasiadamente
estranho ao universo pessoal do aluno. As disciplinas estão
voltadas para a reflexão e autoavaliação, portanto a escola não é
considerada rígida. Existem
várias escolas utilizando este método. Mais do que uma linha
pedagógica, o construtivismo é uma teoria psicológica que busca
explicar como se modificam as estratégias de conhecimento do
individuo no decorrer de sua vida.
O
empirismo
é uma teoria filosófica que defende o conhecimento da razão, da
verdade e das ideias racionais através da experiência. Os
defensores do empirismo afirmam antes da experiência nossa razão é
como uma “folha em branco”, onde nada foi gravado. As ideias,
trazidas pela experiência, isto é, pela sensação, pela percepção
e pelo hábito, são levadas à memória e, de lá, a razão as
apanha para formar os pensamentos. A experiência escreve e grava em
nosso espírito as ideias e a razão irá associá-las, combiná-las
ou separá-las, formando todos os nossos pensamentos.
Estudar
o texto Maquinaria
Escolar levou-me a pensar em como e com que objetivo surgiram as
escolas e a educação no Brasil. Foi pensado e posto em prática um
ensino que viesse conservar o interesse da classe dominante da época.
Adotaram-se práticas educativas que buscavam regular a vida e os
costumes a fim de dirigir a formação dos jovens nobres
(preparando-os para mandar) e moldar as atitudes dos jovens pobres.
Até hoje vemos reflexos dos fatos explicitados neste texto: que a
educação continua sendo desigual, os recursos continuam
insuficientes, mas que os educadores, como sempre, seguem fazendo o
melhor que podem, na busca de uma educação de qualidade!
Em
meados do século XVI, a igreja, que tinha poderes políticos e
privilégios, na busca de conservá-los começa a dar atenção às
infâncias, que abarcam desde a infância angélica e nobilíssima do
príncipe, passando pela infância de qualidade dos filhos dos
nobres, até a infância rude das classes populares.
Os
filhos dos pobres serão por sua vez objeto de “paternal proteção”
exercida através de instituições de caridade e beneficentes, onde
serão recolhidos e doutrinados. A infância pobre não receberá
tantas atenções como os mais abastados, sendo os hospitais,
hospícios e outros espaços de correção os primeiros destinos a
modelá-los.
Além
de adestrar os meninos pobres num ofício mecânico, aos que forem
para as letras se lhes dará duas horas logo pela manhã, para
aprender a ler, escrever e contar. A instrução fica relegada à
seleta minoria.
O
professor não possui tanto um saber, mas técnicas de domesticação,
métodos para condicionar e manter a ordem; não transmite tanto
conhecimento, mas uma moral.
O
colégio converte-se num lugar no qual se ensina e se aprende um
amontoado de banalidades desconectadas da prática. Essa fissura com
a vida real favorecerá formalismos que valorizam as classes
distinguidas. O saber é proprietário do professor. Só ele realiza
a interpretação correta dos autores, adéqua conhecimentos e
capacidades e decide quem é bom aluno. A memória dos povos, os
saberes adquiridos no trabalho, suas produções culturais, ficarão
marcadas como erros. É uma relação social de caráter desigual,
marcada pelo poder e avalizada pelo estatuto de verdade conferido aos
novos saberes.
A
escola fará a sua concepção platônica dos dons e das aptidões:
se o menino fracassa é porque é incapaz de assimilar esses
conhecimento e hábitos tão distantes dos de seu redor, portanto a
culpa é só sua, e o professor não deixará de lembrá-lo, o que às
vezes significa enviá-lo a uma escola especial para deficientes. Em
todo caso a
maquinaria escolar
irá
produzindo seus efeitos,
transformando esta força, essa tábula rasa, em um bom trabalhador. Em
princípios do século XX uma série de medidas destinadas ao
controle das classes populares começa a se aplicar, como a casa
própria para pobres e ensinar a fazer poupança. Esses dispositivos
tem por finalidade tutelar ao operário, moralizá-lo, convertê-lo
em honrado produtor, neutralizar e impedir que a luta social
transborde, pondo em perigo a estabilidade política. A
educação do menino trabalhador não tem pois como objetivo
principal ensiná-lo a mandar, se não a obedecer; não pretende
fazer dele um homem instruído e culto, se não inculcar-lhe a
virtude da obediência e a submissão à autoridade legítima.
Referências:
BECKER,
Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. Educação
e Realidade,
Porto Alegre, p.89-96, 01 jun. 1994. Semestral. 19(1).
FREIRE,
P. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro, 1999.
MACEDO,
Lino de. O Construtivismo e sua função educacional. Educação
e Realidade,
Porto Alegre, p.25-31, 01 jun. 1993. 18(1).
TOSTO,
Rosanei. Escolas Democráticas Utopias ou Realidade. Revista
Pandora Brasil,
ISSN 2175-3318. v. 4. 2011.
Marcadores:
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alunos,
Construtivismo,
Empirismo,
Escola,
Escolas Democráticas,
Maquinaría,
Pedagogia diretiva,
Professores,
Publicação nº8 de 2018,
Seminário Integrador VII
segunda-feira, 28 de maio de 2018
BRINCAR
Na
aula presencial do dia 21 de maio tivemos o prazer de ter
a Palestra "Sala
de aula é lugar de brincar?" com
a Profa.
Dra. Tânia Fortuna da
Faculdade de Educação da UFRGS, Coordenadora Geral
do Programa de Extensão Universitária "Quem quer
brincar?".
Foi uma aula fantástica, lembrando-nos que aprender brincando é possível sim! Mas não foi uma aula com "10 sugestões de atividades lúdicas" ou listas do tipo, foi muito além! Dentre tantas contribuições, Tânia Fontoura começou falando da sua experiência em sala de aula e das tantas tentativas frustadas. Contou sobre sua história de vida, que é filha de professores, cresceu neste meio, sempre quis ser educadora e tinha muitas certezas, quase todas derrotadas na hora de pôr em prática. Até pensou em desistir, mas não! Foi perseverante e foram anos até conseguir achar o meio termo entre a aula tradicional e a aula liberal com a qual sonhou.
Este reconhecimento do que deu errado me trouxe o consolo de que não existem professores perfeitos, técnicas perfeitas, alunos perfeitos, teorias perfeitas! Existe dedicação e um não conformar-se, existe o continuar buscando esta troca de aprender e ensinar, sempre!
Foi uma aula fantástica, lembrando-nos que aprender brincando é possível sim! Mas não foi uma aula com "10 sugestões de atividades lúdicas" ou listas do tipo, foi muito além! Dentre tantas contribuições, Tânia Fontoura começou falando da sua experiência em sala de aula e das tantas tentativas frustadas. Contou sobre sua história de vida, que é filha de professores, cresceu neste meio, sempre quis ser educadora e tinha muitas certezas, quase todas derrotadas na hora de pôr em prática. Até pensou em desistir, mas não! Foi perseverante e foram anos até conseguir achar o meio termo entre a aula tradicional e a aula liberal com a qual sonhou.
Este reconhecimento do que deu errado me trouxe o consolo de que não existem professores perfeitos, técnicas perfeitas, alunos perfeitos, teorias perfeitas! Existe dedicação e um não conformar-se, existe o continuar buscando esta troca de aprender e ensinar, sempre!
INTERDISCIPLINARIDADE
Atividade didática integrando diferentes áreas do conhecimento,
com base no livro Beleléu e a Cores, do autor Patrício Dugani, onde exploramos:
Arte -
exploração e reconhecimento das cores através de pinturas.
Coordenação Motora Ampla: Equilíbrio ao mesmo tempo em que identifica e nomeia as cores.
Expressão:
Foi construído coletivamente
o
boneco Beleléu. Eu fiz o corpo de pano e eles ajudaram enchendo o
corpinho de fibra e o fechamos juntos. A partir de agora o Beleléu
visitará
a casa de cada criança, semanalmente, e a família registrará a
experiência em um diário que o acompanhará o
personagem juntamente com o livro trabalhado.
O
projeto Beleléu surgiu com o objetivo de, através de técnicas
diferentes, utilizando materiais diversos, despertar nas crianças o
interesse e incentivar sua curiosidade e criatividade, trabalhar a
linguagem oral, aumentar o vocabulário e as formas de compreender a
realidade.
sexta-feira, 25 de maio de 2018
ATIVIDADE INTERDISCIPLINAR
Atividade didática integrando diferentes áreas do conhecimento.
Trabalho desenvolvido com o Livro Beleléu, do autor Patrício Dugani, onde exploramos:
Linguagem e Literatura - através da contação da história, buscando desenvolver a imaginação e a capacidade de abstração e interpretação.
Coordenação motora fina - pintura com tinta e bolinhas de gude - ênfase no livro Beleléu e as Cores.
Socialização: crianças exercitaram o ajudar uns aos outros no guardar os brinquedos. O livro do Beleléu conta que este personagem pega e esconde tudo o que fica fora do lugar. Então as crianças guardam seus pertences para que o Beleléu não leve as coisas embora.
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Brincar,
História,
Interdisciplina de Didática,
Interdisciplinar,
Linguagem,
Publicação nº5 de 2018,
Seminário Integrador VII,
Socialização
sábado, 5 de maio de 2018
FRAGMENTAÇÃO DO APRENDER
Hilton
Japiassu traz em uma frase*
o que Jurgo Santomé esmiúça e explica com detalhes no texto estudado
esta semana “Globalização e interdisciplinaridade”.
A
fragmentação do conteúdo escolar não surgiu sozinha, do nada.
Esta compartimentalização vem do que aconteceu nas linhas de
produção, na economia do início do século XX.
Com
a finalidade de ter maior produtividade, sem tempo para distrações
e “vagabundagens” dos trabalhadores, adotou-se o sistema
Fordista, com as linhas de montagem. Nas fábricas da Ford a produção
dos automóveis foi fragmentada ao extremo, ao ponto de que cada
operário precisava saber muito pouco e repetir exaustivamente, sem
noção do todo. O funcionário que apertava parafusos não sabia nem
ao menos se aquele era o freio ou um enfeite do carro, tendo em vista
a velocidade em que as peças passavam pelas suas mãos. Sem
conhecimento do todo não tinha como opinar sobre nada na produção
do carro e assim só umas poucas pessoas compreendiam claramente
todos os passos da produção e o que a motivava.
De
igual forma, na educação, ao analisar os currículos, se observava
que os conteúdos relacionavam-se com a obediência e a submissão ao
que já tinha sido posto por poucos, que detinham a autoridade sobre
o que se devia ser ensinado nas escolas. Os conteúdos culturais eram
descontextualizados, distantes do mundo experimental dos alunos.
As
consequências desta desapropriação de conhecimento, tanto de
trabalhadores quanto de estudantes, representam um atentado contra os
direitos de participação nos processos de tomadas de decisões. É
antidemocrático e expõe as pessoas à possibilidade de serem
substituídas a qualquer momento. Sem visão do todo não se tem o
conhecimento para argumentar diante de uma demissão no trabalho ou
reprovação escolar!
No
entanto, conforme coloca Santomé, essas políticas de controle e
degradação do trabalho tiveram que enfrentar obstáculos.
Associações e sindicatos abriram os olhos e reagiram, mesmo com
pressão e coação por parte dos patronais. A globalização, que
foi facilitada também pelo acesso à informação que a tecnologia
traz, obrigou que os processos de produção e comercialização
fossem revisitados e revistos. Neste momento entra o modelo
toyotista, com as implementações do engenheiro chefe da empresa
Toyota, que revolucionou os modelos de gestão e produção a partir
da década de 50. O sistema Toyota nasceu na necessidade particular
do Japão de produzir pequenas quantidades de muitos modelos de
produtos, exatamente o contrário do modelo Ford de produção em
massa de produtos idênticos. Aqui estimula-se a produtividade
mediante recompensas e o envolvimento na tomada de decisões até
certo ponto.
Não
nos enganemos, pois no toyotismo os limites existem, os controles
tornam-se mais disfarçados e continuam na mãos de poucos. Assim
também na educação, os professores têm a falsa sensação de
autonomia, porém suas decisões não passam das dimensões
metodológicas e de organização das instituições escolares, mas
não à análise crítica dos conteúdos e finalidades
do sistema escolar. Assim, alguns fatos nos geram dúvidas sobre um
compromisso sério com as reformas educacionais, como por exemplo a
aprovação de uma lei de financiamento que possa garantir o
desenvolvimento de projetos de estudo e pesquisa. Será que o
discurso de autonomia pode reduzir-se apenas à liberdade de escolha
de estratégias para obter os objetivos impostos por um sistema de
educação que pode estar interessado somente em produzir
trabalhadores que não questionam? Será que a excessiva
compartimentalização dos saberes está a serviço de tirar o foco
do todo, para criar especialistas em quase nada?
É
cruel até o que Japiassu traz, das palavras de Harper:
*
“A especialização sem limites culminou numa fragmentação
crescente do horizonte epistemológico. Chegamos a um ponto que o
especialista se reduz àquele que, à causa de saber cada vez mais
sobre cada vez menos, termina por saber tudo sobre o nada(...).”
Fontes:
HARPER,
Babette et al.
Cuidado,
Escola!
São Paulo: Brasiliense, 1980
JAPIASSU,
Hilton. A questão da interdisciplinaridade. Revista
Paixão de Aprender.
Secretaria Municipal de Educação, novembro, n°8, p. 48-55, 1994.
SANTOMÉ,
Jurgo T. GLOBALIZAÇÃO E INTERDISCIPLINARIDADE. O currículo
integrado. Porto Alegre, 1988.
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Interdisciplina de Didática,
Professores,
Publicação nº4 de 2018,
Seminário Integrador VII,
Tecnologia
terça-feira, 1 de maio de 2018
ESCOLAS DEMOCRÁTICAS
O vídeo acima chama-se "Escola Democrática" e a primeira questão que me chamou atenção neste curta foi exatamente
o fato de retratar uma escola NÃO democrática.
Trata-se
de uma escola que
desconsidera
as novas ideias dos alunos, desde o professor até o diretor, uma
escola auditório, com aulas repetitivas, expositivas, favorecendo
uma aprendizagem engessada. Este ensino conteudista, com foco na
teoria, é também descontextualizado, uma vez que dispensa a
prática, como visto na aula de ciências por exemplo. A professora
estava explicando sobre a morfologia da borboleta, através de um
desenho no quadro e explanação oral. Uma borboleta exatamente igual
pousou na janela, coincidentemente no momento da explicação. Uma
aluna notou a borboleta e fez esta identificação. A professora, no
entanto, não gostou de a aluna olhar a borboleta real que pousou na
janela. Imagino que a professora não queria que ela se distraísse
da explicação que estava sendo dada, no entanto aquela era a
prática de sua explicação, era a prova real que faria tanto
sentido para os alunos. Mas a professora tinha um cronograma a
cumprir, um horário, um planejamento e não podia “perder tempo”.
É uma explícita rigidez, um ritmo mecanicista, uma inflexibilidade,
como se tratasse de uma fábrica de parafusos.
Neste
contexto empirista, temos então um aluno condicionado que não cria,
mas apenas reproduz. Há um trecho que mostra os alunos fazendo prova
e no momento desta, enquanto ele escrevia, os conteúdos formatados
iam vazando da sua mente para o papel. Ao final da prova sua mente
não retinha nada, pois foi mera decoreba, não houve construção de
conhecimento.
Que
bom que é apenas um desenho animado, não é a filmagem de um fato e
desejo que não reproduzamos estas práticas em nossas salas de aula.
CICATRIZES PEDAGÓGICAS ?
Existe
uma história que fala sobre um menininho que um
dia foi
criativo e
interessado,
mas que deixou de ser pela influência de uma professora.
Em
umas das atividades de Didática falamos nas marcas que as práticas
pedagógicas deixaram
na nossa vida e nós deixamos na vida dos nossos alunos hoje. Seria
isso uma cicatriz pedagógica?
Diante
deste garotinho meu
desafio seria mostrar a ele que não há a imposição de regras
rígidas a serem seguidas para se fazer um desenho, por exemplo. Que
ele pode usar tantas cores quantas quiser, desenhar o que desejar e
mostrar as coisas que aprecia através das coisas que desenha e
escreve. Que não há certo e errado na arte, existe a expressão do
que cada um pensa e sente.
Para
que ele readquira a autonomia e a criatividade penso que o professor
precisa ensinar
a fazer as coisas sozinho. Ensinar
dá trabalho! Em uma turma de crianças bem pequenas, como Berçário
2 e Maternal 1, muitas vezes é muito mais prático alcançar as
coisas pras crianças do que ensinar a buscar. Eles derrubam
material, borram com tintas, mas este processo é necessário.
Precisa
fazer parte da rotina escolar dos pequenos que cada um saiba onde
está seu material, que aprendam a lavar
as mãos, escovar os dentes, avisar quando quer ir no banheiro, pois tudo
isto colabora com a independência e iniciativa na tomada de decisões
das crianças.
Se
eu pudesse escolher uma marca, que eu gostaria que minha
prática pedagógica deixasse
nos meus
alunos, escolheria
o protagonismo
das
crianças.
Que meus
pequenos
sintam confiança no que elas podem fazer, que
sintam que sua professora está disponível para ajudar quando ele
precisar de mim, mas que eles têm condições de tentar e descobrir
como fazer cada coisa. Sentir-se confiante é um dos principais
requisitos para alcançar os objetivos, correr atrás do que se quer
e conquistar grandes coisas, desde a mais tenra idade até os
adultos!
Referência: BUCKLEY, H. E. 1961 The little boy [Originalmente publicado na Revista School Arts Magazine, mas sem outras referências].
Referência: BUCKLEY, H. E. 1961 The little boy [Originalmente publicado na Revista School Arts Magazine, mas sem outras referências].
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